Em 2014, 35% dos calouros da Unesp, USP e Unicamp serão da rede pública

Em 2014, 35% dos novos alunos da USP, Unesp e Unicamp deverão ter estudado integralmente em escolas públicas. Esse porcentual deve chegar a 50% em 2016 - respeitando ainda proporção de 35% de pretos, pardos e indígenas entre os beneficiados. O programa, anunciado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), não prevê critérios específicos de renda, ao contrário da Lei de Cotas federal, que provocou o debate em São Paulo.

PAULO SALDAÑA, SERGIO POMPEU, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2012 | 02h12

O Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp) vai abrir novas opções de ingresso nas universidades, além do vestibular - como o Estado adiantou ontem. As bonificações no vestibular de cada universidade continuam valendo, mas as vagas poderão ser preenchidas por alunos de um curso comunitário, no modelo de um "college" americano, pela nota do Enem e até por recrutamento nas escolas. Entretanto, em 2014, todo o ingresso será pelo vestibular da Fuvest.

"(No primeiro ano) independe do college; é automático: 35% das vagas são para esses alunos. Ele ingressa pelo vestibular tradicional, se não passar, tem pontuação acrescida. E de qualquer maneira está garantido esse porcentual mínimo", afirmou o governador. "Isso vale por curso e turno. Vale para Direito no Largo São Francisco, Medicina, Engenharia na Poli".

As universidades já registram participação de ingressantes de escola pública: 28% na USP, 32% na Unicamp e 41% na Unesp. Mas os números estão distantes da realidade: 85% das matrículas do ensino médio estão na rede pública. Além disso, nos cursos de elite, e mais concorridos, esses índices são bem menores.

Na Faculdade de Medicina da USP, por exemplo, apenas 14% dos 175 matriculados em 2011 (último dado disponível) eram de escola pública - 25 alunos.

Levando em conta esses dados, o início do programa em 2014 resultaria na ocupação de 47 vagas por alunos de escola pública, em detrimento aos estudantes de escola particular. Em 2016, quando os colégios comunitários já estiverem formando as primeiras turmas e o porcentual de cotas deverá ser de 50%, alunos cotistas ocupariam 73 vagas de estudantes vindos de escolas particulares.

 

A aposta do governo e reitores é garantir o mérito e qualidade dos alunos pelo colégio comunitário, oferecido pelo novo Instituto Comunitário de Ensino Superior (Ices). "O desafio é fazer com que o instituto funcione com eficiência interna e eficácia de resultados no ingresso de alunos", disse o professor Carlos Vogt, da Univesp, que vai gerir o conteúdo online do curso.

O college deve responder por 40% das vagas das cotas. Dará opção de ingresso em uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) em um ano ou, depois de dois anos, a entrada é automática na universidade - por ranqueamento. Também dá direito a diploma de ensino superior.

A proposta precisa ser aprovada nos conselhos universitários. A política também deve valer para as Fatecs e Faculdades de Medicina de Marília e Rio Preto, no interior do Estado.

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