Em baixa, Sarkozy completa um ano no poder na França

Há 50 anos um presidente francês não tinha desempenho tão ruim após um ano de mandato

Daniela Fernandes, BBC

16 de maio de 2008 | 11h10

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, celebra um ano de mandato nesta sexta-feira, 16, mas sem muitos motivos para comemorar. Ele é o chefe de Estado com pior desempenho nas pesquisas de opinião após um ano de governo nos últimos 50 anos da França, desde o início da chamada V República, que teve início com o general Charles de Gaulle. De acordo com sondagens recentes, Sarkozy conta agora com apenas cerca de 36% de opiniões favoráveis do eleitorado. Esse índice, em maio do ano passado, era de 65%. Pior ainda para Sarkozy, uma outra pesquisa, divulgada no início de maio pelo instituto LH2 para a revista Nouvel Observateur, revelou que, se as eleições presidenciais fossem agora, sua rival socialista Ségolène Royal venceria com 53% dos votos.  Sarkozy foi eleito prometendo uma "ruptura" do imobilismo no passado e um "choque de confiança" em relação às perspectivas econômicas do país. Hoje, em um clima de descontentamento quase geral, o presidente enfrenta uma enxurrada de críticas. A queda vertiginosa de Sarkozy nas pesquisas de opinião começou a ocorrer em janeiro passado. Foi quando ele confessou, no dia 8, que não podia fazer muita coisa porque "os cofres do Estado estão vazios". A declaração fez com que Sarkozy perdesse o apoio das camadas populares, que contribuíram fortemente para sua eleição. Os franceses pararam de acreditar que o presidente cumpriria uma de suas principais promessas, a de melhorar o poder aquisitivo da população. Além disso, os franceses também não apreciaram a grande exposição de sua vida privada na imprensa mundial. Seu divórcio com Cecília, em outubro, e seu casamento com a cantora e ex-top model Carla Bruni, em fevereiro, assim como suas férias e outros passeios luxuosos, passaram a ocupar as páginas de revistas de celebridades. Isso chocou também os eleitores tradicionais da direita, que passaram a achar que esse tipo de comportamento não corresponde à função presidencial. "Sarkozy pensava, ainda com o apoio de pesquisas favoráveis, que sua formidável energia e essa forma de sinceridade direta, real ou fingida, que ele impunha à imprensa, iriam ampliar a adesão dos franceses a essa nova forma de ser presidente. Em vão", escreveu o jornal Le Monde. Nos últimos tempos, Sarkozy tem sido bem mais discreto sobre sua vida pessoal, e adotou um comportamento mais sóbrio, mas ainda não conseguiu reverter sua queda de popularidade. No final de abril, o presidente assumiu ter cometido erros em seu primeiro ano de governo, afirmando que "algumas reformas não foram explicadas suficientemente". Entre elas, o pacote fiscal, interpretado como um presente aos ricos em detrimento das camadas populares. Mas apesar das inúmeras críticas, algumas reformas de Sarkozy contam com forte apoio da população, como a criação de um "serviço mínimo" nas escolas primárias em dias de greve, permitindo que os pais deixem os filhos no local mesmo quando não há aulas, e a exoneração fiscal das horas extras de trabalho. 'Homens de todos os recordes' Após um ano de governo, Sarkozy também é "o homem de todos os recordes", escreveu o jornal Le Parisien. Segundo cálculos do jornal, o presidente percorreu em apenas um ano de mandato 288 mil quilômetros, sete vezes a volta da Terra, realizando 88 viagens, 38 delas ao exterior. Ele também fez 104 discursos (41 deles fora da França), em média um a cada três dias. Desde sua eleição, pelo menos 76 livros foram escritos sobre ele, não só sob o ângulo político, mas também sobre sua ex-mulher e seu novo casamento. "Em seu segundo ano do governo, Sarkozy não terá um tapete de rosas", escreveu o jornal Le Figaro. Na quinta-feira, véspera de um ano de mandato, os professores fizeram greve para protestar contra o corte de postos de trabalho. Na próxima semana, deve haver nova paralisação nos transportes públicos na França contra a reforma das aposentadorias.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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