Em Caracas: ''Liberdade de imprensa é essencial''

Em entrevista a jornal venezuelano, presidente declara que no Brasil a mídia goza de 'total liberdade'

Denise Chrispim Marin, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Em entrevista por escrito ao jornal venezuelano El Universal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar convicto de que a liberdade de imprensa é "essencial", mas evitou se manifestar especificamente sobre a situação na Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez é acusado de tentar silenciar os meios de comunicação críticos a seu governo.

"Na questão das relações com os meios de comunicação, posso falar do Brasil. E, no meu país, a imprensa goza de total liberdade", disse Lula ao jornal, de linha editorial contrária ao governo e acusado por Chávez de representar "as oligarquias". "Sou duramente criticado no Brasil por boa parte da imprensa, muitas vezes de maneira injusta, em minha opinião. Mas isso não muda em nada minha convicção de que a liberdade de imprensa é essencial", acrescentou o petista.

Nos últimos anos, a perseguição aos meios de comunicação opositores e a ampliação dos órgãos oficiais orientaram as ações do governo Chávez em relação à imprensa. Em 2007, o regime não renovou a concessão da RCTV, então a líder de audiência, em meio a acusações de que teria participado do golpe que, cinco anos antes, tirou Chávez do comando do País por 48 horas. Em 2009, o governo fechou 32 emissoras de rádio e anunciou que outras 208 teriam o mesmo destino.

Na entrevista, Lula evitou responder se considera que a realização de eleições é um critério suficiente para avaliar se há democracia na Venezuela. "Como presidente da República, não devo me intrometer nos assuntos internos de outros países", argumentou. Em diversas ocasiões, o petista defendeu Chávez da acusação de que seria antidemocrático, usando como argumento o fato de ele ter se submetido a votações e referendos.

Questionado sobre a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula mostrou-se mais à vontade. "Seria uma grande conquista para as brasileiras fazer história com a vitória de Dilma, que espero que seja a primeira mulher a assumir a Presidência", afirmou.

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