Em Carapicuíba, água invade as casas

Móveis e eletrodomésticos foram arrastados de dentro das residências

Ana Bizzotto, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2009 | 00h00

Os moradores da Rua Projetada, na Vila Lourdes, em Carapicuíba, foram os que mais sofreram as consequências da enchente. Móveis e eletrodomésticos foram arrastados de dentro das casas, que ficam na margem do Rio Cotia. Carros parados na rua por pouco não foram levados pela correnteza.

"Já teve outras enchentes, mas nunca encheu desse jeito. A geladeira veio parar na área de serviço. Só sobraram os mantimentos no alto do armário", disse a desempregada Dheinny Batista, que mora com o marido e a filha de 2 anos numa casa de um cômodo.

Um poste da rua impediu que o Chevette preto do mecânico Eduardo José de Souza fosse arrastado rio abaixo. "Saí correndo no meio da enchente para amarrá-lo na árvore. A água cobriu o carro todo", relatou.

A desempregada Arislei Teodoro Amaral vive em um barraco de madeira sobre o rio, na mesma rua. Na hora da enchente, ela estava com os dois filhos mais novos. "Foi horrível, o barraco balançava de um lado para o outro. Achei que ia morrer afogada com meus filhos. Os vizinhos ajudaram com uma corda para conseguirmos sair."

RISCOS À SAÚDE

Apesar de a água que invadiu as ruas ser de uma represa, infectologistas alertam que há risco de contaminação. As doenças mais comuns nesse caso são diarreia, infecções gastrointestinais e hepatite A. "Por isso é necessário jogar todos os alimentos que tiveram contato com a água fora e só beber água potável", afirma o infectologista do Hospital das Clínicas Max Igor Lopes.

Outro risco apontado pelo infectologista é a leptospirose, que é transmitida pelo contato com a água contaminada pela urina de rato. Por isso se aconselha utilizar botas durante a enchente - e mesmo após, quando se faz a limpeza das casas.

COLABOROU RENATO MACHADO

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