Em clima de apatia, Palácio espera decisão de Dilma sobre Silva

Em compasso de espera pelo retorno da presidente Dilma Rousseff ao Brasil, era notável um clima de apatia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira sobre o futuro do ministro do Esporte, Orlando Silva, no governo.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

20 Outubro 2011 | 20h00

Coube à própria Dilma dar as declarações mais fortes em defesa do auxiliar antes de iniciar a viagem de volta ao país. Em Angola, Dilma disse que considera que o ministro é alvo de um "apedrejamento moral".

A avaliação do governo é que o ministro soube se defender até agora da denúncia feita pelo policial militar João Dias Ferreira de que Silva coordenaria um suposto esquema de desvio de recursos destinados a convênios com organizações não-governamentais firmados pela pasta no âmbito do programa Segundo Tempo, que visa promover a prática esportivas entre crianças, jovens e adolescentes.

Ferreira, um dos cinco presos no ano passado em operação da polícia de Brasília que investigou recursos do programa, afirma ter provas de suas denúncias, embora ainda não as tenha apresentado.

Apesar de o ministro ter se saído bem nas audiências públicas no Congresso, onde quase não foi questionado pela oposição, o clima nesta quinta era de que o ele segue um enredo semelhante ao de outros ministros que deixaram o cargo nos últimos meses por conta de suspeitas de desvios éticos.

Quatro ministros de Dilma já deixaram seus cargos em meio a denúncias de irregularidades --Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo).

Um assessor do Palácio disse à Reuters, sob condição de anonimato, que notou que o próprio ministro está se sentindo fraco politicamente e já teria indicado que chegou ao seu limite na luta contra as denúncias diárias.

O presidente do PCdoB, Renato Rebelo, se reuniu com os ministros da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e ouviu que não haverá enfraquecimento político da pasta caso Silva seja mantido e que o partido não perderá o Ministério do Esporte.

"Eles também afirmaram que o PCdoB não é um aliado qualquer, que somos aliados históricos", disse a jornalistas ao sair da reunião. Rebelo disse que o governo não deveria trocar ministros apenas por denúncias da mídia e baseadas em acusações sem provas.

"Essa operação derruba ministro tem que parar", disse.

Um outro assessor do Palácio, que também pediu para não ter seu nome revelado, analisou que o clima de aparente apatia se deve em parte pela falta de fatos novos. Na avaliação desse auxiliar, o governo já não tem mais muito a dizer porque a presidente está fora do país e não passou novas instruções além das declarações que deu na África.

Isso, segundo ele, esgota um pouco as possibilidades de fazer uma defesa mais enfática do ministro.

Dilma retorna ao Brasil nesta quinta, mas só deve se reunir com os ministros do Palácio --Carvalho, Gleisi e Ideli-- na sexta-feira, quando também deve conversar pessoalmente com Silva. Os assessores ouvidos pela Reuters disseram que não há nenhuma definição sobre a permanência ou saída do ministro.

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