Em crise, Museu Afro Brasil fecha em São Paulo

Desde sábado, o Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, está fechado para visitação. O motivo, segundo seus administradores, é financeiro: por trás da placa ?temporariamente fechado? fica uma instituição que há dois meses não consegue pagar os funcionários da limpeza, a manutenção do ar-condicionado, nem mesmo os 15 educadores que atendem visitas escolares - e que, na última semana, já estavam deixando de aparecer. A dívida chega a R$ 200 mil.

AE, Agencia Estado

24 de junho de 2009 | 10h05

Os problemas financeiros acompanham a instituição desde a fundação, em 2004. A instituição, administrada pela Associação Museu Afro Brasil, era mantida pela Prefeitura até anteontem, em contrato com valor anual de cerca de R$ 1,8 milhão, assinado com a Secretaria Municipal da Cultura. Agora, com a assinatura de um convênio com o governo do Estado, a verba destinada ao museu aumentará mais de 15 vezes - até 2012, a instituição receberá um total de R$ 28 milhões, para reformar sua estrutura, ampliar a reserva técnica e restaurar o acervo, que conta hoje com cerca de 3 mil obras.

Para sanar os problemas mais urgentes, principalmente o pagamento dos 80 funcionários, a verba prevista para 2009 é de cerca de R$ 4 milhões. Mesmo assim, não há previsão de reabertura, segundo o diretor financeiro do museu, Luiz Henrique Neves. ?Podemos dizer que até sexta-feira ele fica fechado. Mas haverá uma reunião da diretoria para definir quando reabriremos.? Mensalmente, entre 13 mil e 16 mil pessoas visitam o Museu Afro Brasil - por causa do fechamento das portas, no sábado, pelo menos 10 escolas públicas tiveram de desmarcar visitas.

Para entidades de defesa do movimento negro, o principal desafio na nova fase do museu - que se dedica, segundo definição própria, a ?preservar o legado do negro na formação cultural do País? - é incluí-lo na agenda cultural da cidade. ?É um absurdo ter chegado aonde chegou. Isso é reflexo do valor que a administração municipal, e a própria sociedade, dava a ele?, avalia Edna Roland, coordenadora, entre 2003 e 2005, da Área de Combate ao Racismo e Discriminação da Unesco no Brasil. ?Que isso mude a partir de agora.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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