Em dia de ata, diretores do BC pregam contra indexação

No dia da divulgação do documento que explicou os motivos que fizeram o juro brasileiro cair para o menor nível da história, o Banco Central atribuiu à indexação da economia a culpa de a taxa não cair ainda mais no Brasil.

REUTERS

19 de março de 2009 | 18h56

Tanto na ata do Comitê de Política Monetário (Copom) quanto verbalmente, por meio de dois de seus diretores, o BC criticou abertamente o uso de mecanismos que garantam correção de preços ou rentabilidade em aplicações.

"Para que um avanço seja feito, é preciso fazer mudanças", disse o diretor de Política Monetária, Mario Torós, a jornalistas, após palestra a investidores, mencionando a poupança, cuja rentabilidade garantida de 6 por cento ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR), dos fundos de pensão, que têm metas atuariais elevadas, e das contas de serviços públicos, como a de eletricidade.

Também falando a investidores, o diretor de Normas do BC, Alexandre Tombini, reforçou o discurso.

"Condições monetárias mais flexíveis implicam em revisão do arcabouço institucional construído em época de inflação crônica. Do contrário, um ambiente de juros mais próximos dos praticados internacionalmente poderia ser prejudicial ao equilíbrio entre instrumentos de captação e de aplicação no sistema financeiro", afirmou Tombini.

Mais cedo, a ata da reunião do Copom da semana passada, que selou a queda de 1,5 ponto percentual da Selic, para 11,25 por cento ao ano, trouxe mensagem similar.

O documento mencionou "aspectos resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço do sistema financeiro nacional" como um limitador para aprofundar a queda adicional do juro.

O debate sobre mudanças nas regras de remuneração da poupança vem crescendo dentro do governo com a intensificação da queda da Selic, o que provocou o temor de migração de recursos aplicados em outros produtos, como o de renda fixa, para a poupança.

(Reportagem de Aluísio Alves)

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