Em discurso na favela, papa faz improvisos

Em discurso na comunidade de Varginha, na zona norte do Rio, o papa Francisco, pela primeira vez, fez improvisos. Pelo menos seis vezes ele acrescentou trechos que não estavam na versão oficial. O primeiro improviso foi uma brincadeira com o público. Ele dizia que gostaria de bater em cada porta para tomar um "cafezinho". "Não um copo de cachaça", brincou o papa.

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

25 de julho de 2013 | 12h41

Em seguida, quando referiu-se à expressão "colocar mais água no feijão", ele dirigiu-se à plateia. "Se pode colocar mais água no feijão? Sempre". Depois, no trecho em que falava sobre solidariedade, ele acrescentou que a palavra "quase parece um palavrão".

Outro trecho não programado no discurso foi quando ele dizia que é preciso ver no outro um irmão e acrescentou: "e todos nós somos irmãos". Em um momento de grande comoção na plateia, ele falou novamente fora do texto previsto: "Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável porque nós somos irmãos. Ninguém é descartável".

No último improviso, quando dizia que existe "uma fome mais profunda", o papa acrescentou: "fome de dignidade". Apesar da chuva e da lama, que afastaram boa parte dos moradores da favela, as pessoas que deixaram suas casas para ver e ouvir o papa aplaudiram várias vezes e lamentaram quando ele disse que falaria uma última coisa e encerrou o discurso.

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