Em documentário, relatos de tragédia e superação

As histórias dos sobreviventes das duas bombas atômicas no Japão

Camila Anauate,

27 de abril de 2008 | 17h16

Foram dois anos de pesquisas, conversas intermináveis e muitas horas de gravação para produzir Hibakusha: Herdeiros Atômicos no Brasil, um documentário que conta em 15 minutos histórias de sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki. Os relatos da tragédia são narrados pelas próprias vítimas, pessoas que escaparam da morte, superaram traumas e hoje são exemplos de vida. "O intuito foi resgatar e preservar a memória das vítimas", diz o cineasta Maurício Kinoshita, de 28 anos, diretor e roteirista do curta-metragem. Ele conta que, apenas depois de conhecer os personagens reais da história - "senhores lúcidos e saudáveis" -, percebeu que o filme não poderia seguir o lado da tristeza e sim o da superação. "Eles tiveram coragem de se expor na telona para falar de suas experiências e deixar uma mensagem de paz para outras gerações." Uma das histórias mais marcantes para Kinoshita é a de Ashihara, "salvo" pela bomba de Nagasaki, já que estava prestes a se jogar num navio inimigo como tokkoten, a versão marítima dos camicases. Ashihara vive hoje em Embu e cultiva plantas ornamentais. "Ele foi educado para morrer e agora semeia a vida." Kinoshita se interessou pela história das vítimas em 2004, depois de ler uma reportagem sobre o assunto. Só depois começou a pesquisar e gravar. O curta foi rodado em 2006 e apresentado em diversos festivais de cinema. Segundo o cineasta, o vídeo estará disponível em breve na internet.

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