Em dosagem menor, efeito é terapêutico

O efeito da radiação no organismo pode ser comparado ao de um remédio. Em pequenas doses, é terapêutico; em altas, pode ser letal. A analogia é da física Kellen Adriana Curci Daros, da Comissão de Proteção Radiológica do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h07

Ela explica que, em acidentes como o de Fukushima, quando alguém é exposto a altas doses de radiação por inalação ou ingestão, existe o risco de desenvolvimento da Síndrome Aguda das Radiações (SAR). Trata-se de uma reação imediata à exposição para a qual só existe tratamento paliativo.

De acordo com o médico João Luís Fernandes da Silva, do Hospital Sírio Libanês, esse tipo de efeito mais grave ocorre quando a intensidade da radiação é maior do que 500 centigreis. "Se doses menores forem absorvidas, com o decorrer do tempo, podem aparecer tumores secundários da radiação."

No caso do acidente de Chernobyl, em 1986, além da morte de 30 trabalhadores da usina, quase 6 mil casos de câncer de tireoide foram detectados em regiões contaminadas. Estudos estimam que, nas décadas seguintes, de 10 mil a 40 mil casos de câncer estariam ligados ao vazamento de material radioativo.

Ela observa que, apesar dos efeitos deletérios, a radiação tem grande importância na medicina, possibilitando exames de imagem que vão desde o raio X até a sofisticada tomografia computadorizada por emissão de pósitrons. A radiação também é usada na esterilização de material cirúrgico.

Na terapêutica contra o câncer, a radiação também é utilizada para destruir tumores em sessões de radioterapia.

Medo. Para Kellen, a população leiga ainda tem pouco conhecimento sobre a radiação, o que leva a um medo exagerado de seus efeitos. "A radiação é muito próxima da vida da gente, mas a população não vê. O paciente que está com uma doença crítica, mas que tem cura, deve fazer vários exames conforme o médico considera necessário. O benefício de se curar é muito maior do que os riscos da radiação dos exames", diz

O estudo de Stanford destaca que, no caso de comunidades que vivem perto de usinas nucleares, como a de Fukushima, esse medo também podem levar a efeitos psicológicos como depressão, ansiedade e sintomas físicos inexplicados. Fenômeno semelhante foi observado em Chernobyl logo após o acidente nuclear. / M.L

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