Em grupo, pecuarista ganha mais

Unidos, criadores conseguem negociar melhores preços na indústria e comprar insumos com desconto

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2008 | 02h51

A união de pecuaristas em associações ou grupos pode trazer uma série de benefícios e oportunidades para o criador. Além da troca de experiências, e, sobretudo, genética dos bovinos, o poder de negociação com a indústria aumenta e fica mais fácil adquirir insumos a preços menores. "O que sustenta a união entre criadores é a troca de informações, principalmente sobre melhoramento genético; comprar insumos com desconto e obter preço melhor no frigorífico, embora seja uma vantagem, é conseqüência", diz o zootecnista Daniel Feijó Biluca. Biluca é o executivo da Conexão Delta G, grupo com sede em Araçatuba (SP) e que reúne 36 empresas de pecuária e plantel de 300 mil cabeças. O zootecnista diz que, há dois anos, a união de pecuaristas era um fato novo e a resistência era grande, mas hoje esse tipo de iniciativa já está mais consolidado e o mercado, mais receptivo. "Estrategicamente, os frigoríficos já nos procuram, pois sabem que somos fornecedores de produtos de boa qualidade e organizados", diz Biluca, destacando que a indústria chega a pagar de 2% a 10% a mais por arroba de animais do plantel dos associados. No entanto, o fator de união da associação é o programa de melhoramento genético. "Isso faz o criador ficar, pois para vender bem deve-se ter bons animais", diz Biluca. "Mais importante que comprar insumos mais baratos e vender com melhor preço é produzir com eficiência, pensando, sempre, nas características produtivas do animal." Para o pecuarista Denival Douglas Benício, da Nippak Agropecuária, em Três Lagoas (MS), o principal benefício de se unir em grupos é a troca de experiências. Com rebanho de 8 mil cabeças de gado nelore, Benício é membro de um grupo há três anos e meio. "Meu rebanho deu um salto em termos de qualidade graças ao programa de melhoramento genético do grupo. Trocamos informações sobre tudo, mas compartilhar genética é o mais importante", avalia. Segundo o criador, itens como precocidade e conformação de carcaça tornaram-se parte da rotina na fazenda. Melhoradores "Com assessoria técnica especializada, passei a trabalhar apenas com sêmen de touros melhoradores. Nas fêmeas, a precocidade melhorou e, nos machos, entendi que o mais importante não é ter um animal grande, mas precoce, com boa conformação de carcaça e interessante para o frigorífico." O criador fixa, antecipadamente, um preço com a indústria. "E ainda há uma tabela de bonificação." Benício destaca, ainda, o fato de que, em grupo, compra insumos mais baratos. "Como temos volume, o sal mineral, vacinas, vermífugos e alimento para animais confinados saem com desconto." Para Biluca, esse tipo de associação atrai porque a adesão é simples, muito menos burocrática se comparada a uma cooperativa, por exemplo. "Exige-se muito pouco do associado." Esta seção, que tem por objetivo fomentar a raça nelore, resulta de parceria entre o Suplemento Agrícola e a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB)

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