Em leilão, não erga a mão

No segundo leilão de vinhos mais importante da França, o 'Paladar' provou dezenas de brancos, escolheu o seu, tentou timidamente comprá-lo, mas os preços e o tamanho da barrica esfriaram a intenção. Apesar disso, o evento em Limoux foi um êxito

Luiz Horta,

09 Abril 2009 | 09h02

LIMOUX, FRANÇA - Vinte anos atrás, dois entusiasmados comilões e produtores de vinho da região de Limoux, Pierre Mirc e Alain Gayda, decidiram fazer algo para salvar o patrimônio arquitetônico dos vilarejos espalhados pelo Languedoc. Pediram barricas dos melhores Chardonnays de outros vinhateiros da região, no sul da França, num raio de 40 clochers (campanários, e por extensão, paróquias. A palavra é usada localmente com o mesmo sentido de château). A resposta foi imediata, os vinhos foram leiloados sob a presidência de um amigo deles, um dos líderes da Nouvelle Cuisine, Pierre Troisgros, e o dinheiro destinado à restauração da Igreja de Saint Ferréol, em Malras. Assim nasceu o leilão beneficente Toques (nome do chapéu dos chefs) et Clochers. Passaram por lá, desde então, como leiloeiros honorários, todos os grandes tri-estrelados da França, Robuchon e Ducasse incluídos. Para o leilão deste ano, comemorativo do 20º aniversário do evento, foram reunidos o mesmo Pierre Troisgros e um verdadeiro tableau vivante da cozinha contemporânea: Michel Bras, Michel Troisgros, Olivier Roellinger e Michel Guérard. Os 104 lotes de barricas foram totalmente vendidos, por preços entre 2.700 e 6.600 euros, mesmo com a presença modesta da Rússia e da Inglaterra influindo negativamente na composição final dos preços. Houve compradores esperados (importadores do mundo todo e restaurantes). E inesperados: um comprador do Brasil (o chef do Sofitel carioca Roland Villard, arrematou duas barricas); um banco (o Crédit Agricole do Languedoc) e até uma prefeitura (a da cidade de Carcassone). O Paladar entrou na disputa, inscrito sob número 93, e teve ímpetos de arrematar um perfeito Chardonnay, mas teve também o bom senso de manter a plaquinha imóvel: os preços subiam sem parar e um gesto podia significar alguns milhares de euros. O vinho que mais agradou ao Paladar na degustação prévia tinha ótima fruta, bom corpo, belíssima acidez e muita mineralidade, com grande potencial de envelhecimento, feito por Monsieur e Madame Pradier, de Saint Martin, Limoux. Foi levado a leilão como lote 97 e terminou a disputa vendido a um negociante inglês por 4.700 euros. Quem sabe ano que vem conseguimos os 225 litros de um Limoux Paladar? Foie de festa: multidão gourmet Teve bandinha de música, badaladas de sinos, desfile em trajes típicos, missa celebrada pelo arcebispo e discurso do prefeito. Até aqui, uma festa do interior, de qualquer lugar pequeno. Mas bastava se aproximar de uma barraquinha de comida e bebida e as diferenças apareciam. Para comer, sanduíches de foie gras com figo (delicioso e enorme, 5) ou de magret de pato frito. E para beber, quantidades generosas dos excelentes brancos da região, Chardonnays bem minerais e os dois tipos de espumante autorizados na Appelation, Crémant e Blanquette de Limoux. A festa de rua, realizada sábado passado em Malras, pequena localidade equilibrada num morrinho, com suas poucas dezenas de ruas se esforçando para acomodar os 40 mil visitantes, comemorava a restauração da igreja. No dia seguinte, o leilão dos Toques et Clochers arrecadaria dinheiro para uma restauração futura. Viagem feita a convite de Sud France

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