Em livro, a mágica de concretizar contos de fadas

História da Pixar é lançada no País em texto de David A. Price, elogiado como relato saboroso de um sucesso

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

Na orelha de A Magia da Pixar, da editora Campus (R$ 69,90), o leitor descobre que o livro de David A. Price foi considerado o lançamento do ano pelo The Wall Street Journal. Na contracapa, Robert Sutton, co-autor de A Verdade dos Fatos, diz que já leu muitas histórias sobre organizações, em especial sobre sucessos e fracassos de empresas inovadoras: A Magia da Pixar é das melhores. Price é repórter de negócios de importantes publicações dos EUA. Seu livro destina-se tanto a leitores da área de economia quanto aos que se interessam pelo processo criativo de (grandes) artistas. A principal lição que se tira de A Magia da Pixar é aquela que John Lasseter, cofundador do estúdio, não se cansa de repetir - "Conte uma boa história e o público virá."

Parece um sonho. Garoto que quer ser animador cria uma firma de sucesso e chega a comandar, como diretor artístico, o estúdio mítico (Disney) que venerava. Mas a história de Lasseter, e da Pixar, é tudo menos a história de uma predestinação. Price explica, ao longo de 242 páginas, como a magia da Pixar é uma tríplice espiral de esforços artísticos, tecnológicos e empresariais. Você aprende muito sobre a natureza tremendamente incerta e contingencial do sucesso nessas três áreas. O livro é rico em histórias e pode ser lido quase como um romance. Lasseter e seu parceiro Steve Jobs venceram adversidades. Como? Com criatividade e ousadia, investindo no futuro sem renegar o passado.

Lasseter lembra que, no começo de sua carreira, quando fez Branca de Neve e Fantasia, Disney era considerado um artista de vanguarda. Depois, quando o estúdio começou a produzir divertimento familiar para TV, a marca Disney virou sinônimo de acomodação e o nome de Walt foi associado ao que de mais reacionário havia na sociedade norte-americana. Os clássicos Disney persistem, no entanto, e até filmes "menores" hoje são redescobertos como interessantes retratos da sociedade dos EUA.

O livro conta como os sonhadores discípulos de Disney começaram a trabalhar com efeitos especiais, na Lucasfilm, e em 1995, deram o salto para produzir o próprio longa, alcançando grande sucesso, de público e crítica, com o primeiro Toy Story. O resto é história, a Disney adquiriu a Pixar, que você vai agora conhecer desde o interior. Lasseter, só como curiosidade, adora locomotivas. Fez instalar uma em sua propriedade na Califórnia. Pode-se presumir que um dia a Pixar retratará uma locomotiva dando lições de vida - assim que Lasseter encontrar a história certa.

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