Em manifestação de ontem em Salvador, 40 são detidos

Os confrontos entre manifestantes e policiais em Salvador, entre a tarde e a noite deste sábado (22), apesar de menos intensos que os registrados na noite de quinta-feira (20), também deixaram muitos sinais de destruição pela cidade.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

23 Junho 2013 | 17h01

Duas agências bancárias e três lojas da região do Iguatemi, centro financeiro da cidade, tiveram as fachadas destruídas por pedradas. Pontos de ônibus, caixas de coleta de lixo e placas de trânsito foram destruídos, tanto no Iguatemi quanto no Centro, onde também houve confronto. No total, 40 pessoas, entre elas três adolescentes, foram detidas. Com três deles foram apreendidas garrafas de coquetel molotov.

Desta vez, porém, também chamaram a atenção as agressões sofridas por jornalistas que cobriam os confrontos. Três foram agredidos fisicamente por policiais, um foi ferido nas costas por uma bala de borracha e outro foi preso por desacato - liberado após prestar depoimento, na 16ª Delegacia (Pituba).

O fotógrafo Tiago di Araújo, do portal iBahia (integrante da Rede Bahia, afiliada da Rede Globo no Estado), que trabalhava no confronto entre policiais e manifestantes no centro da cidade, foi forçado por três PMs - nenhum deles identificado - a apagar as imagens que fazia quando a manifestação já se dispersava.

Ameaçado pelos policiais, o fotógrafo, que estava identificado, disse que apenas fazia seu trabalho, mas teve de apagar as fotos na frente deles. "Essas manifestações estão acontecendo por causa de pessoas como você", disse um dos policiais, segundo relato de Araújo. O fotógrafo foi liberado após mostrar que havia apagado as imagens.

Mais tarde, no Iguatemi, porém, um jornalista acabou preso pelos policiais, por desacato, e outros dois foram agredidos. Segundo o editor do site Bahia Notícias, para o qual trabalham os três envolvidos, Evilásio Júnior, a confusão começou quando o fotógrafo Almiro Lopes registrava imagens da quebra da fachada de uma agência bancária na região. Dois policiais, então, teriam agredido o fotógrafo, pelas costas.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) emitiu uma nota de repúdio às agressões sofridas pelos jornalistas e à prisão de um deles. No texto, assinado pela presidente Marjorie Moura, o sindicato também informa que vai solicitar ao Ministério Público Federal a investigação dos atos.

"Além do registro público das agressões, o Sinjorba encaminhará ao governo da Bahia protesto formal e também solicitará ao Ministério Público Federal, que já avalia excessos cometidos pela PM na repressão aos manifestantes, solicitação de apuração dos fatos", diz a nota. "É função dos jornalistas registrar os fatos decorrentes da ida da população às ruas e quando esta atividade é cerceada pela brutalidade policial, trata-se de um grave sintoma da tentativa de encobrir o descontrole e o abuso de autoridade."

Também em nota, a PM informou que "reafirma seu compromisso em apurar todas as denúncias encaminhadas à corporação e lembra que sua Ouvidoria está à disposição para as demandas da sociedade".

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