Em meio a acusações, alunos de Direito reclamam de biblioteca

Estudantes da USP no Largo São Francisco têm dificuldade para fazer pesquisas em acervo dividido em dois prédios

CARLOS LORDELO E CEDÊ SILVA, DO ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2011 | 03h02

Enquanto se acirram os ânimos entre a reitoria da USP e a Faculdade de Direito - a Congregação da São Francisco, da qual fazem parte alunos, funcionários e professores, decidiu anteontem considerar o reitor João Grandino Rodas persona non grata -, os alunos do Largo São Francisco continuam com problemas para acessar as bibliotecas da faculdade, que contêm cerca de 160 mil livros. Hoje, o acervo dos departamentos está dividido entre o prédio histórico e um edifício anexo, na Rua Senador Feijó, centro da capital paulista. A biblioteca circulante também funciona no prédio auxiliar.

A transferência das bibliotecas para o anexo foi um dos últimos atos da gestão do atual reitor da USP quando ocupava a direção da faculdade, em janeiro de 2010. A maneira como as obras foram levadas (em caixas sem identificação) e armazenadas (em pilhas) irritou os estudantes e surpreendeu os funcionários. Dias depois, assim que assumiu o cargo, o atual diretor da São Francisco, Antonio Magalhães Gomes Filho, mandou voltar o acervo.

Desde então, ocorreram vários atritos entre o reitor e a direção da São Francisco. Nesta semana, depois que Grandino Rodas produziu boletins da reitoria para criticar a infraestrutura da faculdade - incluindo a decisão de Gomes Filho de levar o acervo de volta para o prédio histórico -, o diretor da faculdade rebateu as denúncias e a Congregação, por decisão unânime, decidiu romper com o reitor.

Parte do acervo de quatro departamentos permanece no prédio histórico. Ele não foi levado ao anexo porque o edifício precisa de reforma entre o 5.º e o 9.º andares. Gomes Filho diz que solicita recursos para a obra há mais de um ano, mas só foi atendido pela reitoria em julho. Rodas liberou R$ 700 mil e afirma que "as verbas são suplementadas, desde que solicitadas e justificadas".

Escada. O Estado esteve anteontem no prédio da Senador Feijó (conhecido como Anexo 4). Os livros estão distribuídos entre o 2.º e o 4.º andares, que precisam ser vencidos por escada - os elevadores aguardam manutenção. Nessa parte do edifício também há salas de estudo e acesso a computadores ligados à rede da USP, para pesquisa bibliográfica.

Embora os livros já estejam instalados nas estantes e disponíveis para consulta, parte das obras fica desprotegida do sol, porque nem todas as janelas têm persianas. Também não há ventilação adequada. Faz tempo que os aparelhos de ar-condicionado não funcionam.

No 4.º andar, um cavalete impede o acesso aos pavimentos superiores. Acompanhada de um funcionário da faculdade, a reportagem subiu até o 9.º piso, o último. O cenário muda completamente. Agora, o que se vê são paredes descascadas, fiação exposta, janelas com vidros quebrados e muita poeira.

O aluno do 4.º ano de Direito Tairo Esperança, de 21 anos, diz que a divisão do acervo dificulta a pesquisa. Segundo ele, antes era possível fazer uma "pesquisa multidisciplinar", porque as bibliotecas ficavam num mesmo ambiente. "Hoje há consultas que não posso fazer, até porque não posso retirar livros de uma biblioteca e levar para a outra."

Grandino Rodas não quis comentar a decisão da Congregação. Além de romper com o reitor, o órgão sugeriu ao Ministério Público que investe supostas irregularidades cometidas por Rodas no período que ele dirigiu a faculdade, entre 2006 e 2009.

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