Em nota, MST 'repudia' violência na disputa por terra

Entidade reafirma que o caso foi motivado por legítima defesa e reivindica a desapropriação das fazendas

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2009 | 19h49

Depois do episódio que deixou sábado, 21, quatro seguranças mortos no município de São Joaquim do Monte, no agreste de Pernambuco, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nacional afirmou nesta quinta-feira, 26, em nota, que "repudia a violência como solução para os conflitos no campo". A entidade reafirma que o caso foi motivado por legítima defesa dos trabalhadores e reivindica a "desapropriação imediata" das fazendas Consulta e Jabuticaba. No texto, o MST afirma que "conforme já comprovou o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), elas são improdutivas e não cumprem sua função social".   Veja também:  Polícia busca sem-terra suspeitos de chacina em fazenda no PE  Incra visita área de conflito após morte de seguranças  Governo nega proteção especial a acusados do MSTPorém, o superintendente do Incra em Pernambuco, Abelardo Siqueira, disse que a fazenda Consulta não é mais passível de desapropriação, porque sua a área foi dividida, em cartório, por quatro herdeiros e se tornaram propriedades de médio porte. Segundo ele, também há indícios de que a área é produtiva, com criação de gado. A fazenda Jabuticaba, disse, é que pode ser alvo de negociação, pois não está documentada em cartório e há controvérsia quanto às suas dimensões. De acordo com um proprietário, ela possui 247 hectares. Segundo o MST, tem mais de 800 hectares.Na nota, o MST explica que os sem-terra tiveram que recorrer à violência "para evitar mais um massacre", porque, segundo a entidade, pistoleiros e milícias armadas rondavam os dois acampamentos, conforme já havia sido denunciado à Polícia Militar (PM). Os sem-terra alegam que os pistoleiros entraram na Consulta e passaram a agredir um trabalhador, chegando a sacar uma arma. Nesse momento, os acampados teriam reagido, em legítima defesa. O movimento critica a prisão dos dois sem-terra no mesmo dia do crime "sem averiguar a denúncia feita pelas famílias", que, afirma o texto, "estão sendo permanentemente ameaçadas por parte das milícias da região".

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