Em posição diferente, russo de 2,18m tirou 'lucidez' do Brasil

No momento em que o Brasil dominava o jogo e abria vantagem de 2 sets a 0 na final olímpica do vôlei masculino, o russo Dmitriy Muserskiy estava apagado em quadra, apesar de seus 2,18 metros. Quando o técnico Vladimir Alekno o mudou de meio-de-rede para oposto, mudou também toda a história da partida.

PEDRO FONSECA, Reuters

12 de agosto de 2012 | 16h11

Muserskiy fez 31 pontos e liderou a Rússia na vitória de virada por 3 sets a 2 para conquistar a medalha de ouro, impondo aos brasileiros a segunda derrota consecutiva em três finais olímpicas em 2004, 2008 e 2012.

Foi por causa da força do russo no ataque que o Brasil se perdeu em quadra, principalmente depois que não conseguiu fechar a partida quando chegou a 23-22 no 3o set e estava a duas bolas do ouro, avaliaram o técnico Bernardinho e os jogadores brasileiros.

Alguns colocaram a culpa exclusivamente em Muserskiy. "O cara ganhou da gente sozinho", disse Rodrigão. Mas o treinador e a maioria dos outros jogadores reconheceram a incapacidade brasileira de buscar uma resposta, tática e emocional, ao que estava acontecendo em quadra.

"No 3o sete ele fez a mudança do oposto, colocou um time mais alto e mais forte, e a gente acabou perdendo um pouco a lucidez para jogar o jogo que a gente sabia", disse a jornalistas o levantador Bruninho, o mais arrasado entre os brasileiro no pódio ao receber a medalha de prata.

"Naquele momento a gente tinha que ter continuado com a lucidez que foi nosso ponto forte durante toda a Olimpíada e aquela mudança acabou pegando a gente de surpresa", afirmou.

A terceira final olímpica do time do técnico Bernardinho marcou o fim de uma geração que conquistou o ouro em Atenas-2004, passou pela prata em Pequim-2008 e aguentou chegar até Londres-2012.

Foi justamente a esses jogadores mais experientes que o treinador recorreu em determinado momento no 4o set, quando a partida se encaminhava para o tiebreak, numa tentativa de reverter o quadro. Entraram em quadra os veteranos Giba, Ricardinho e Rodrigão, que tampouco conseguiram parar Muserskiy.

Além dos pontos de ataque que ele já marcava diretamente, suas bolas tiravam as chances brasileiras de pontuar, o que minou a confiança do time.

"O time titular deles estava totalmente controlado, mas essa mudança realmente gerou alguns problemas", disse Bernardinho.

"O 13 (Muserskiy) fez um pouco a diferença, não conseguimos controlar e, obviamente, você fica mais ansioso com isso."

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