Em premiação, Lula usa exemplo de jovem cadeirante

Ricardo Oliveira da Silva, de 19 anos, preso desde pequeno a uma cadeira de rodas por causa de atrofia muscular e morador da zona rural de Várzea Alegre, no interior do Ceará, foi transformado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na estrela da solenidade de entrega das medalhas aos 300 vencedores da 3ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Bicampeão na disputa que no ano passado reuniu 17 milhões de jovens da quinta à oitava séries do Ensino Fundamental e dos três anos do Ensino Médio, Silva assistiu de um lugar privilegiado, no palco do Teatro Municipal, ao lado de Lula, ao discurso em que o presidente o elogiou longamente, apresentando-o como "exemplo para todos"."Muita gente tem defeitos piores, como a preguiça e o desânimo", discursou o presidente.Lula emocionou os participantes da solenidade ao ler a história do rapaz, marcada por dificuldades físicas e sociais. Ele é filho de lavradores pobres, que vivem de lavoura de subsistência e são beneficiários do programa Bolsa Família. Iniciou os estudos com a mãe, Francisca da Silva, que o ensinou a ler, a escrever e a fazer as quatro operações. Depois, continuou a estudar sozinho, com os livros do irmão mais novo, Ronildo. Conseguiu ser matriculado na quinta série, mas não pôde ir às aulas: a estrada que leva até lá é muito acidentada e não permite o uso da cadeira de rodas. Para disputar a Olimpíada, o pai, Joaquim, teve que levá-lo em carrinho de mão. Os professores o visitam em casa, onde lhe ministram os exercícios, voltando depois para corrigi-lo.Há mais. Como foi um dos vencedores de Olimpíada anterior, ganhou direito a iniciação científica. O professor designado para isso, Valberto Feitosa Pereira, vai visitá-lo dois fins de semana por mês. Para chegar à sua casa, leva uma hora e meia de mototáxi. Dorme lá mesmo, em rede. Senta-se no chão, porque é a posição mais confortável para o aluno. "Estudo todo dia, três horas só matemática e outras duas as outras matérias", contou o rapaz aos jornalistas. "Não sou muito bom nas outras, principalmente português. Gosto mesmo é de matemática." Silva estuda atualmente na 7ª série.Em seu discurso, o presidente dedicou ao rapaz o que considera avanços da área educacional, como a criação do Fundeb com mais R$ 4 bilhões e a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Plano de Desenvolvimento da Educação. Mas queixou-se de "senadores", acusando-os de, com a rejeição da CPMF, no fim de 2007, terem cortado verbas que iriam para a saúde das crianças e jovens."O companheiro ministro da Saúde, o (José Gomes) Temporão, apresentou no final do ano passado um PAC da Saúde em que pretendíamos investir mais 24 bilhões (de reais) por ano na saúde", afirmou. "E um dos programas era levar médico e dentista para todas as escolas públicas brasileiras. Lamentavelmente teve que ser paralisado, porque um pequeno grupo de senadores resolveu não aprovar a CPMF e portanto o PAC da Saúde está sendo reconstruído, para ver o que podemos fazer."

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