Em SP, presidente argentina defende barreiras contra o Brasil

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, defendeu nesta sexta-feira as medidas protecionistas tomadas por seu governo para restringir a entrada de produtos importados, atingindo as mercadorias brasileiras. Ela argumentou que o déficit na balança comercial entre os dois países justifica as decisões.

CARMEN MUNARI, REUTERS

20 de março de 2009 | 18h42

Cristina Kirchner, que esteve em São Paulo chefiando uma delegação de 500 empresários argentinos, classificou o déficit argentino de 4 bilhões de dólares no comércio bilateral no ano passado como um desempenho "monstruoso".

"Uma licença (de importação) não automática pode parecer uma medida protecionista em matéria comercial.... Então poderíamos verificar que há medidas protecionistas de um lado e de outro. Talvez umas sejam menos perceptíveis que outras, mas existem em matéria fiscal, de financiamento e monetária (no Brasil)", disse ela a jornalistas.

A presidente argentina indicou a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, os benefícios fiscais que os Estados brasileiros concedem às indústrias e o tamanho diferente das economias dos dois países, com preponderância para o Brasil, como fatores que desequilibram a relação comercial entre os dois países.

Neste ano, o governo argentino aumentou os valores mínimos de importação para 800 produtos, que atingiram as mercadorias brasileiras, e instituiu licenças prévias para desembarques no país.

"As medidas políticas não são tomadas no marco de uma igualdade. É natural que as economias que têm menos desenvolvimento, menos volume e com déficit estrutural em sua balança comercial, como a que mantém a Argentina com Brasil, façam algumas medidas para não aprofundar esse déficit comercial", explicou.

Ela rechaçou, no entanto, que tenha tomado medidas protecionistas. "Pretender que a licença não automática para não aprofundar o déficit comercial monstruoso é uma medida protecionista, é um exercício de reducionismo ou a visão de só uma parte dos interesses", afirmou, defendendo que a relação entre Argentina e Brasil deve ser de integração e não de "cooptação".

Falando antes dela, Lula amenizou as recentes críticas ao protecionismo, quando disse que o mecanismo comercial não é a saída para os países em crise. "O protecionismo é quase como se fosse uma religião, quando acontece qualquer coisa aqui no Brasil, na Argentina, nos EUA e na Europa todo mundo quer defender suas empresas, emprego, economia. Isso é normal e nós não precisamos encarar como se fosse uma coisa insolúvel", afirmou o presidente. "Penso que o que precisamos é ter uma proteção enorme contra o dumping."

Quanto à Argentina, afirmou que é preciso discutir para se chegar a uma definição dos preços equivalentes, "para que a economia de um país não sufoque a economia de outro país" e depositou o tema nas mãos dos empresários argentinos e brasileiros.

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