Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Em terra conflagrada, Roberto clama por paz

Artista cantou música em hebraico com orquestra de cordas, arrancando elogios de israelenses; também dançou com a apresentadora Glória Maria

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL A JERUSALÉM

Para cerca de 6 mil pessoas, o anfiteatro Sultan"s Pool praticamente lotado, inteiramente vestido de branco, Roberto Carlos pediu paz aos pés da cidadela do Rei David, fundador de uma nação. E inaugurou uma tradição brasileira em Jerusalém na noite de ontem. Entre 80% a 90% da plateia era brasileira, gente segurando cartazes como "Shalom Bahia", "Belém do Pará em Israel", gritando "Eu te amo", usando camisas do Flamengo ou do Botafogo e entoando corais imensos para canções muito conhecidas. No Brasil.

"A cidade do Rei David saúda o Brasil na sua independência", disse o prefeito da cidade, Nir Barkat, em mensagem no telão, antes do início do show, que teve 24 canções. "Os convido para voltar no ano que vem", afirmou Barkat, o que sugere uma Operação Israel 2 em 2012. Se for verdade, os lojistas da Cidade Velha vão fazer festa, já que os brasileiros agitaram o comércio nesses dias que precederam o show.

"Dezessete vezes destruída e 18 vezes reconstruída, Jerusalém é a cidade do amor, que nada pode aniquilar", afirmou a apresentadora Glória Maria, que chorou na introdução do show e recebeu beijos e uma rosa do cantor. Ela também dançou com o artista no meio da execução de Unforgettable, sucesso de Nat King Cole. "Dançar com a Glorinha? Um privilégio", afirmou o músico.

"Cantar é uma forma de oração", discursou o cantor. "Aqui em Jerusalém, entre dois desertos, um milagre aconteceu. Aqui, nasceu Jesus." Na plateia, famosos como Tom Cavalcante, Regina Casé e Bia Aydar, empresários como João Dória Jr. e Pedro Sirotsky, e muitos fãs, como a médica Esther Longman, de 90 anos, do Recife, que veio a Jerusalém de cadeira de rodas.

Mensagem. Mesmo de forma ingênua, Roberto Carlos foi ousado em sua mensagem. Pediu paz em forma de canções e também nos seus breves discursos. A primeira música na qual ele aludiu diretamente aos conflitos entre judeus e palestinos foi Pensamentos, que nunca entrava nos repertórios de seus shows recentes. A letra diz: "É que flores diferentes vivem juntas."

Antes de cantar Eu Quero Apenas (Um Milhão de Amigos), ele elogiou a cidade na qual convivem judeus e muçulmanos: "Cada cor tem seu valor, mas, quando as cores estão juntas, o quadro fica muito mais bonito." Seus números em língua estrangeira foram os pontos mais baixos do show.

Finalmente o cantor arriscou-se em Jerusalém de Ouro, música que cantou em português e hebraico, com a ajuda de uma orquestra de cordas e um coral israelense. Segundo contou, a canção lhe foi mostrada há alguns anos pelo apresentador Salomão Schvartzman. Foi muito aplaudido. Brasileiros que moram em Israel e israelenses presentes diziam que o hebraico dele estava perfeito.

Às 22h30, ele cantou Jesus Cristo e jogou as rosas que beijava para a plateia, um rito costumeiro, mas que pareceu excêntrico e colorido no meio da profusão de cartazes brasileiros. Como era uma gravação para a TV Globo, Roberto teve de voltar ao palco após o show concluído e refazer duas canções e meia, atendendo pedido do diretor Jayme Monjardim. Tirou de letra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.