Em toda parte

Durante quatro dias programadores, empresas de tecnologia e representantes do governo se reuniram em Porto Alegre (RS) para discutir os rumos das plataformas abertas no País, durante o Fórum Internacional do Software Livre (Fisl). O modelo de negócio que prevê o acesso irrestrito aos códigos de programação de softwares amadureceu e hoje não é apenas uma boa opção para o setor público, mas também para quem quer trabalhar na iniciativa privada.

*O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO FISL, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2012 | 03h07

A prova disso é que a 13ª edição do Fisl teve, pela primeira vez, uma rodada de negócios entre empresas e desenvolvedores. A novidade mostra que é possível fazer dinheiro sem vender licença de software, como o Windows ou o Office.

A empresa Dextra é um dos muitos exemplos. "Não acho que softwares da Microsoft sejam 'do mal'. É uma opção", diz seu diretor de tecnologia, Bill Coutinho. "Mas software proprietário tende a amarrar o cliente e, para nós, a opção livre é mais interessante."

Rodolfo Gobbi, diretor da 4Linux, que presta consultoria, dá cursos e suporte a soluções livres, aponta outro ponto. "Há a vantagem de formar profissionais melhores. Quem vem do software livre e aprendeu o que é sistema operacional no Linux, evolui mais rápido."

A receita é indireta e vem dos serviços prestados depois. É um modelo mais difícil, mas que tem suas vantagens, como diz o administrador do Portal Android, Alexandre Antunes. "Tudo que já foi feito e pensado, não precisa ser feito e pensado novamente, funciona como um ciclo incremental."

O peso do governo é crucial pois é ele que decide se, nas escolas, os alunos aprenderão a mexer no Adobe Photoshop ou se farão seu próprio editor de imagens. E não só. Como o governo é um grande comprador destas ferramentas, definir se o dinheiro público será destinado a licenças de uso de softwares proprietários ou em capacitação para o outro modelo é essencial.

"Governos devem buscar o melhor software, se será aberto ou fechado, não importa", opina Jon "Maddog" Hall, diretor da Linux International e um dos principais embaixadores desta lógica. Além da questão econômica, ele cita a preocupação do governo em não perder o desenvolvimento de softwares porque uma empresa faliu ou deixou de atualizar seus programas. "Plataformas abertas também ajudam a evitar fuga de cérebros, incentivando estudantes a bolar soluções nacionais em vez de ir para o Vale do Silício atrás de emprego."

É por isso que tentativas de incentivo ao uso de software livre aparecem vez ou outra em Brasília. O projeto de lei 2.269/1999, atualmente na Comissão de Constituição e Justiça, propõe que "órgãos da administração pública" sejam obrigados a "utilizar software com código livre".

A preferência é polêmica. Jorge Sukarie, vice-presidente do conselho da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), rejeita a ideia de governos darem preferência a um modelo de negócio de software em prejuízo a outro. "Não pode ser por uma questão de custo, porque pelo software aberto também se paga, só que em serviço. O governo tem que mostrar para a sociedade que ele é produtivo e eficiente e não determinar que tipo de modelo de software ele se identifica mais."

A adoção do software livre pelas empresas é acompanhada de perto por ativistas, que recentemente ficaram furiosos com a compra de licenças da Microsoft pela Caixa Econômica Federal, até então um exemplo de uso de soluções abertas.

"Fomos contratados em 2006 para trabalhar por dois anos, o prazo se estendeu até o final de 2011 e aí decidiram abandonar tudo e comprar o Office e soluções da Microsoft", conta Gobbi, cuja empresa, a 4Linux, foi contratada para desenvolver soluções livres para a Caixa e seus 70 mil terminais de atendimento. O valor pago à Microsoft foi de R$ 112 milhões; segundo Gobbi, todas as soluções adquiridas já haviam sido desenvolvidas pela sua equipe, que recebeu R$ 1,6 milhão pelo serviço.

murilo.roncolato@

grupoestado.com.br

Murilo

Roncolato

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