Em tragédia de templo em Osasco, crime prescreveu

Nenhum dos denunciados foi punido; indenizações chegaram a R$ 200 mil

Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo,

20 Janeiro 2009 | 08h13

Não houve punição a nenhum dos denunciados como corresponsáveis pelo desabamento do teto da Igreja Universal do Reino de Deus, em 1998, em Osasco, na Grande São Paulo. O crime prescreveu dois anos depois dos fatos. "Foi um caso complicado, que demorou. Foi preciso ouvir muitas testemunhas e o caso se estendeu", lembra o advogado Arthur Lavigne, que defendeu a Universal.   Veja também: Igreja desabou por falta de manutenção, dizem técnicos Casal Hernandes pode voltar ao Brasil em junho Igreja usa mídia própria para falar em 'milagre' Interdição no entorno da Renascer deixa 15 pessoas desalojadas Troféu de Kaká não estava no templo; jogador casou no local Casal Hernandes divulga nota sobre desabamento Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer      Na madrugada do dia 5 de setembro daquele ano, cerca de 1,5 mil fiéis oravam em vigília quando houve um estrondo. Em seguida, placas do forro caíram sobre as pessoas, antes de a estrutura do teto desabar. Morreram 25 pessoas e 467 ficaram feridas.   Em março de 1999, com base em laudo do Instituto de Criminalística (IC), que apontou negligência como causa do acidente, a polícia indiciou oito pessoas por homicídio culposo (sem intenção): o dono do imóvel, quatro integrantes da Igreja e três engenheiros da prefeitura que liberaram a realização de cultos no local.   A defesa pediu a peritos privados um novo laudo. "Mostramos que o solo lodoso e obras próximas influenciaram na queda. Não houve negligência. Houve uma condenação pequena na primeira instância. E a segunda instância considerou o caso prescrito", diz Lavigne. Na esfera civil, a maioria das indenizações saiu no ano seguinte ao acidente, por meio de acordos feitos entre a defesa das vítimas e a Igreja. O advogado Ademar Gomes calcula que representou cerca de 60% das vítimas fatais, além de feridos. "Se deixássemos o caso correr na Justiça, talvez o dinheiro não chegasse."   Ele diz que as indenizações variaram de cerca de R$ 15 mil, para casos de ferimentos leves, a R$ 200 mil, para os familiares dos mortos. Caso a defesa esperasse o processo transitar em julgado, Gomes estima que as indenizações chegariam a R$ 1,5 milhão. "Mas não dá para depender da lentidão da Justiça e partimos para o acordo." Lavigne lembra que algumas vítimas preferiram não acionar a Igreja por serem fiéis.

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