Em vez de atacar, Romney elogia política externa de Obama

Às vezes, era como se Mitt Romney estivesse ali para elogiar a política externa de Barack Obama em vez de criticá-la.

ARSHAD MOHAMMED, Reuters

23 de outubro de 2012 | 09h13

O debate de segunda-feira à noite sobre política externa entre o candidato presidencial republicano e o presidente democrata dos EUA foi marcante pela frequência com que Romney alinhou-se com as estratégias de Obama, no lugar de distanciar-se delas.

Sobre temas que foram desde a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão em 2014 até evitar um envolvimento militar na Síria, Romney repetiu posições de Obama, no que analistas viram como um esforço consciente para aparecer como um moderado que não vai arrastar os Estados Unidos para uma nova guerra.

"Seu objetivo aqui não era diferenciar-se do presidente, mas se apresentar como um comandante-em-chefe plausível", disse o vice-presidente de estudos de política externa da Brookings Institution, Martin Indyk, em Washington.

"Eu não tenho certeza se ele conseguiu, mas foi uma abordagem muito interessante de sua parte para tentar consolidar sua imagem como um pacificador, não um fomentador de guerras", acrescentou.

"Suspeito que a razão é que as pesquisas de intenção de voto mostram o mesmo sentimento sobre questões de política externa: a de que o povo norte-americano está cansado de guerras... e não vai apoiar um candidato que queira começar outra."

Romney lançou alguns ataques contra Obama, acusando-o de presidir um declínio da influência dos EUA, de fracassar em trazer israelenses e palestinos para negociações de paz, de fazer muito pouco para apoiar manifestantes iranianos em 2009 ou para acabar com o derramamento de sangue na Síria.

Mas ele também jogou flores para o presidente.

Sobre o Afeganistão, que Romney por vezes acusou Obama de ter feito "uma retirada programada politicamente", o republicano elogiou o "aumento" de forças no país.

Questionado sobre sua posição a respeito das aeronaves não tripuladas, Romney apoiou solidamente o extensivo uso desses equipamentos por Obama para vigilância e para ataques objetivos sem colocar tropas norte-americanas em perigo.

"Eu apoio isso inteiramente e acho que o presidente estava certo em aumentar o uso dessa tecnologia", disse Romney, embora tenha acrescentado que "não podemos sair dessa bagunça matando" e que Obama deveria ter feito mais para combater o "extremismo islâmico".

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