Emissão de CO2 supera meta de 2020

Informe da ONU, lançado a poucos dias da cúpula do clima em Doha, alerta que temperatura média pode subir até 5°C neste século

PARIS, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h05

As promessas da comunidade internacional de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa para conter o aumento de temperatura em até 2°C não foram cumpridas, advertiu ontem a Organização das Nações Unidas (ONU) em um informe elaborado por um painel de 55 especialistas de 20 nacionalidades diferentes.

O relatório mostra que o nível atual de emissões já está cerca de 14% acima do que deveria estar em 2020. Em vez de cair, as emissões aumentaram em torno de 20% desde o ano 2000.

"A transição para uma economia de baixo carbono está sendo feita de maneira extremamente lenta", alertou Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). De acordo com ele, "as possibilidades de se conseguir um aumento máximo de 2°C são reduzidas um pouco mais a cada ano".

O objetivo de 2°C fixado pela comunidade internacional é o máximo, segundo os cientistas, para evitar que o sistema climático comece a produzir efeitos que acelerariam fortemente o aquecimento do planeta.

Para alcançar a meta de reduzir o aumento do aquecimento global a um máximo de 2°C, seria necessário que o planeta emitisse até 44 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano até 2020. Entretanto, atualmente são emitidas aproximadamente 50 gigatoneladas, segundo o informe.

Meta distante. A ONU também alerta que, se medidas urgentes não forem tomadas, o nível pode chegar a 58 gigatoneladas em oito anos, e o aumento médio da temperatura do planeta durante este século será de 3°C a 5°C.

O relatório foi apresentado poucos dias antes da abertura da grande reunião de cúpula anual sobre o clima, que será realizada em Doha, no Catar, de segunda-feira, dia 26, até 7 de dezembro. Representantes de mais de 190 países tratarão dos esforços para conter as mudanças climáticas. Espera-se que um acordo seja fechado até 2015, para que entre em vigor em 2020.

"Quanto antes os países cumprirem o que prometeram, melhor será. Mas, mesmo que cumpram todos os compromissos, isso não será suficiente para alcançar a meta de 2°C", afirmou um dos especialistas da ONU, John Christensen. "Os países podem aumentar seu nível de ambição, mas isso significa que se deve agir agora", reforçou.

Brecha crescente. Em 2011, o Pnuma estimou que a brecha entre as intenções declaradas pelos países após a reunião de Copenhague, em 2009, e as emissões mundiais máximas compatíveis com o limite de um aumento da temperatura de até 2°C era, no melhor dos casos, de 6 gigatoneladas.

Agora, afirma o Pnuma, essa brecha aumentou para mais de 8 gigatoneladas. Isso se explica em parte porque "os países esclareceram suas promessas, explicando como elas devem ser interpretadas na prática, o que permitiu atualizar nossa avaliação", explicou um dos autores do informe, Joeri Rogelj.

Apesar dos alertas, o diretor executivo do Pnuma tentou manter o otimismo, observando que a brecha entre as intenções e as metas "poderia ser reduzida, com o emprego das tecnologias existentes e com a aplicação de políticas".

Steiner também chamou atenção para "as numerosas ações aplicadas em cada um dos países-membros", assim como a busca por uma maior eficiência energética nos edifícios, a luta contra o desmatamento e o aumento notável dos investimentos na geração de energia renovável, que chegaram a US$ 260 bilhões no ano passado. / AFP e REUTERS

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