Emissão de poluentes aumenta 62% em 15 anos no País

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 62% entre 1990 e 2005, passando de 1,36 bilhão do toneladas para 2,2 bilhões, de acordo com os dados preliminares do segundo inventário brasileiro sobre mudanças climáticas. Os números foram apresentados hoje à Comissão do Meio Ambiente do Senado pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Como em 2005 o mundo emitiu cerca de 50 bilhões de toneladas, a participação brasileira no total global é de cerca de 4% a 4,5%, com média de 4,2%.

JOÃO DOMINGOS, Agencia Estado

25 de novembro de 2009 | 19h16

Rezende disse que não considera grave o aumento de 62% nas emissões de gases na atmosfera. "Comparado com o que é emitido pela China e pela Índia, é um índice pequeno", disse. Os dois países em desenvolvimento, segundo informações dos cientistas ligados ao estudo do aquecimento global, dobraram suas emissões de gases no período de quinze anos. Além do mais, os relatórios que fazem não são confiáveis. "Há grandes questionamentos internacionais quanto ao trabalho destes países", disse Sérgio Rezende.

O setor que mais emitiu dióxido de carbono (CO2) no Brasil nos últimos 15 anos foi o que tecnicamente é chamado de "mudança no uso da terra e florestas", que inclui o desmatamento na Amazônia e nos outros biomas brasileiros (cerrado, caatinga, pantanal, mata atlântica e pampas). O setor passou de 746 milhões de toneladas em 1990 para 1,268 bilhão em 2005 - em 2004 foi verificado um pico no desmatamento da Amazônia, com 27.423 quilômetros quadrados. Em seguida, houve queda acentuada no desmatamento da região.

Dois setores reduziram proporcionalmente suas emissões nos quinze anos entre 1990 e 2005: industrial e agrícola. De acordo com cientistas que participaram das pesquisas para o inventário, duas são as razões: ou por conseguirem melhorar seus índices ou porque outros passaram a emitir mais. As indústrias jogaram na atmosfera 26 mil toneladas de gases de efeito estufa em 1990 e 37 mil em 2005, caindo de uma participação de 2% para 1,7% no total brasileiro. E a agricultura, que em 1990 jogou na atmosfera 346 mil toneladas, contribuiu com 487 mil em 2005, numa participação que caiu de 25,4% para 22,1%.

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