Empresa anuncia criação de células-tronco sem destruir embrião

Uma empresa de biotecnologia dos EUA desenvolveu uma nova forma de criar células-tronco sem destruir embriões humanos, apresentando-a como uma solução potencial para o debate ético e político em torno da nova tecnologia. "Isso vai tornar ainda mais difícil ser contra esta pesquisa", disse Robert Lanza, da Advanced Cell Technology, a companhia que apresenta nesta quarta-feira a descoberta.Pesquisadores da área disseram-se impressionados pela capacidade da nova técnica, que gerou duas linhas robustas de células-tronco sem precisar destruir embriões, e uma porta-voz da Casa Branca referiu-se ao resultado como encorajador. Mas poucas pessoas, nos dois lados do debate, acreditam que o novo procedimento possa pôr fim ao impasse em torno da ciência.A capacidade das células-tronco, de assumir qualquer papel dentro do organismo, faz com que as pesquisas sejam defendidas por pessoas que sofrem de diversos tipos de doença. Mas o Vaticano, o presidente George W. Bush e outros afirmam que a promessa de cura da nova tecnologia não deve ser realizada ao preço de destruir embriões."A ciência é interessante e importante", disse John Harris, professor de bioética da Universidade de Manchester, no Reino Unido, sobre os esforços da companhia. Mas um representante da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA condenou o procedimento como "seriamente antiético".Diversos pesquisadores de células-tronco descartaram o novo avanço como pouco significativo cientificamente e politicamente incômodo. A técnica extrai uma única célula de um embrião e a utiliza para fertilizar uma linha de células-tronco. O embrião sobrevive e pode, em tese, dar origem a um ser humano saudável.Um artigo que descreve o avanço será publicado nesta quarta-feira pela revista científica Nature. No ano passado, a técnica já se havia mostrado viável em ratos.Os cientistas envolvidos em estudos com células-tronco reclamam que a técnica da Advanced Cell Technology é menos eficiente que o método tradicional, que envolve a destruição do embrião após cinco dias de desenvolvimento, quando ele é composto de cerca de 100 células. Os que se opõem a qualquer tipo de pesquisa que destrua qualquer entidade com o potencial de se desenvolver numa vida humana lembram que a única célula retirada do embrião, pelo método da Advanced Cell Technology, poderia, em tese, dar origem a uma pessoa saudável - um gêmeo idêntico do embrião original.

Agencia Estado,

23 de agosto de 2006 | 14h22

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