Empresa confirma à polícia que sindicato tentou extorsão

Representantes da empresa de plano de saúde Master Saúde, que denunciou na quarta-feira à Polícia de Campinas (95 quilômetros de São Paulo) um suposto esquema de extorsão, confirmaram hoje à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) que os sindicalistas pediram R$ 600 mil. Na quarta-feira, três representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Anexos de Campinas e Região foram presos em flagrante, durante uma reunião com integrantes da empresa de plano de saúde, por suspeita de extorsão.A empresa de planos de saúde havia feito denúncia ao MP e à polícia sobre o pedido de R$ 600 mil para que o sindicato apoiasse a contratação dela com o objetivo de atender os trabalhadores do transporte coletivo da cidade. Segundo informou a empresa à polícia, o valor seria dividido em três vezes. A primeira parcela seria de R$ 180 mil.Durante o encontro realizado na sede da Master Saúde na quarta-feira, microcâmeras registraram uma negociação na qual a advogada Kátia Gomide reclama da tentativa dos representantes da companhia de não pagar o valor. De acordo com o advogado Haroldo Cardella, o presidente da entidade, Matusalém de Lima, informou ao delegado Rui Pegolo, da DIG, sobre um acordo feito entre o sindicato e a Master de uma doação espontânea de R$ 600 mil para a construção de sede própria. Hoje, a Master negou o comprometimento para a doação. "Essa versão não corresponde à verdade. Nunca houve sequer um pedido de doação. Houve agressividade e insistência no pedido dos R$ 600 mil", afirmou o advogado Alexandre Araújo. A diretoria da Master, representada por Araújo, informou ainda hoje à DIG que recebeu ameaça anônima. "Hoje, por volta das 9 horas, a secretária da diretoria atendeu a um telefonema em que alguém, anônimo, disse que, se eles tinham começado a guerra, a bomba iria explodir", afirmou. A polícia investigará o caso. O empresário Arlei Antônio, diretor-superintendente da Coopus Sistema de Atendimento à Saúde, que prestou serviços ao setor de transporte rodoviário no município, disse hoje também ter sido vítima de tentativa de extorsão. "Tínhamos um contrato com a Transurc (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas ) de 1996 a 1998 e as coisas iam bem. De repente, o sindicato começou a dizer que tinha de mudar de plano, que a qualidade não estava boa, que o pessoal estava insatisfeito. Mas tínhamos feito pesquisa de opinião e o grau de satisfação era muito alto. Isso provocou reuniões com pessoal do sindicato, nas quais representantes da entidade chegaram a mencionar o possível pagamento de uma parcela equivalente à mensalidade de, aproximadamente, 20 reais por funcionário. Na época, eram 14 mil funcionários", disse. O advogado dos sindicalistas disse que a acusação de Antônio se refere a um período em que outra gestão comandava a diretoria do sindicato e que, portanto, não seria comentada.

TATIANA FÁVARO, Agencia Estado

28 de março de 2008 | 17h56

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