Empresa envia 80 fuzis pelos Correios para o Bope no Rio

Subsecretária de Gestão Estratégica disse que, da primeira vez, Imbel enviou armas sem escolta necessária

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2008 | 19h13

A Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) tentou burlar a legislação ao enviar 80 fuzis pelos Correios com destino ao Batalhão de Operações Especiais (Bope). A portaria número 5, editada pelo Departamento de Logística do Exército em 14 de outubro de 2007, estabelece no artigo sexto que o transporte de armas de fogo por Sedex deve se limitar a cinco unidades em caso de espingarda, fuzil ou carabina. A Imbel de fato acondicionou as armas a serem entregues ao Bope em embalagens com cinco fuzis - mas enviou 16 desses pacotes de uma só vez. As armas chegaram na tarde da última sexta-feira.   O episódio provocou a irritação da subsecretária de Gestão Estratégica, Suzy Avelar, que assinou o contrato entre a Secretaria de Segurança e a Imbel. Ela enviou ofício à empresa, cobrando explicações. O documento informa ainda que foi aberto processo administrativo para apurar "eventual inexecução contratual por parte da Imbel". A indústria tem cinco dias úteis para responder.   No documento, Suzy Avelar lembra que a escolta fornecida pela Imbel na primeira remessa de fuzis 762 para o Bope foi considerada insuficiente e o comando do batalhão de elite solicitou o reforço da equipe que acompanharia o carregamento. Foi surpreendido com a chegada dos 80 fuzis por Sedex, na sexta-feira, quando funcionários da agência dos Correios do Largo do Machado telefonaram para avisar sobre a chegada das 16 caixas de fuzis.   "Mesmo diante dessas informações (pedido de reforço da escolta), aliado ao fato de que a cidade do Rio de Janeiro possui índices de criminalidade discrepantes em relação às demais cidades brasileiras, esta conceituada firma optou por realizar a remessa através dos Correios", diz trecho do ofício enviado pela subsecretária.   Em nota, a Secretaria de Segurança informou que todo material bélico adquirido "tem endereço certo de entrega, seja na sede da secretaria, num batalhão da Polícia Militar, ou numa unidade da Polícia civil. Ou seja, entrega porta-a-porta". O texto lembra que a administração já comprou carros blindados, cabines, coletes e munição. "Nunca uma compra da secretaria teve a orientação de ser enviada pelos Correios. Nossas normas de segurança não contemplam esta alternativa".   A nota informa ainda que o contrato com a Imbel prevê a entrega de outros 240 fuzis e mais 20 armas de precisão (tipo sniper). O contrato não será suspenso automaticamente porque o Bope precisa do equipamento com urgência e a Imbel tem a exclusividade de fornecimento em território nacional para esse tipo de armamento. O secretário José Mariano Beltrame pediu ao departamento jurídico que estude a possibilidade de a secretaria passar a comprar armamentos por licitação internacional.   O Estado procurou a Imbel, mas a informação na empresa é de que somente o Centro de Comunicação Social do Exército poderia se pronunciar sobre o episódio. Em nota, o Exército informou a direção da Imbel determinou a instauração de processo administrativo.   A assessoria de Imprensa dos Correios informou que nenhum carteiro transporta armas. A remessa desse tipo de equipamento é feito com logística especial pelos Correios, seguindo as normas estabelecidas na portaria nº 005-D Log - máximo de 10 armas como pistolas e revólveres, ou 5 fuzis, carabinas ou espingardas, com acompanhamento de guia de tráfego e entrega em alguns órgãos, nunca na casa das pessoas.

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