Empresa italiana cria manequins que 'espionam' clientes

Sistema traça perfis com dados como idade, origem e etnia do indivíduo para traçar estratégias de venda.

BBC Brasil, BBC

27 de novembro de 2012 | 10h12

Ao sair do trabalho, uma jovem passeia por uma rua comercial, para em frente a uma loja de roupas, observa distraída um vestido na vitrine e entra para dar uma olhada.

A cena parece a mais comum possível, se não fosse pelo fato de que os movimentos da jovem foram captados pelas pupilas fotográficas do manequim que exibia o vestido, elaborando um perfil com sua idade, sexo, etnia e hora de entrada. Dados que serão posteriormente analisados pelos donos da loja.

Os manequins inteligentes nasceram para analisar as reações das pessoas que passam diante das lojas e ajudar as empresas de moda a elaborar estratégias de venda mais efetivas.

Mas não são poucos os que se perguntam se uma tecnologia desse tipo não significa uma violação ao direito à privacidade dos clientes.

Reconhecimento facial

Os manequins inteligentes são resultado do trabalho conjunto entre a empresa Kee Square, ligada à Universidade de Milão, e a empresa italiana de venda de manequins Almax.

Segundo seus criadores, o modelo Eye See Mannequin é fabricado com materiais biodegradáveis e tem uma câmera no interior da cabeça, para permitir a captação de imagens processadas posteriormente por um programa de reconhecimento facial.

Com essa tecnologia, o manequim pode detectar todas as pessoas que passam diante da loja, detectar se elas se mostraram interessadas no produto, registrar por onde passaram e elaborar perfis com dados como idade, origem e etnia do indivíduo.

Os manequins estão à venda pelo equivalente a R$ 10.500 cada um e se apresentam como uma ferramenta revolucionária de mercado para a indústria da moda.

Privacidade

A tecnologia que empregam é a mesma que vem sendo utilizada para vigiar centros comerciais ou aeroportos, mas o fato de essas câmeras estarem no interior dos manequins e não poderem ser vistas faz com que muitos questionem se isso não atentaria contra a privacidade do cliente.

Alguns representantes do mundo da moda afirmam que os manequins poderiam estar violando as leis de privacidade da União Europeia e de países como os Estados Unidos.

Mas segundo Fabio Mazza, diretor da Kee Square, o sistema elabora perfis "com um total respeito à privacidade", já que o sistema estaria protegido por "uma sofisticada mistura de hardware e software que processa a informação sem a necessidade de um computador".

Com esse sistema, o dispositivo não registraria nem enviaria nenhuma informação sensível, nem deixaria nenhum registro dos rostos dos indivíduos.

Segundo a Almax, cinco grandes empresas de moda já estão usando os manequins, mas a empresa não quis informar a identidade de seus clientes. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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