Empresa nega que mandou seguranças atirarem no MST

Confronto no último domingo resultou na morte de um líder sem-terra e um segurança da fazenda da Syngenta

EVANDRO FADEL E JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agencia Estado

22 de outubro de 2007 | 19h32

A empresa Syngenta Seeds emitiu uma nota lamentando o confronto entre seguranças e sem-terra, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná, que deixou no último domingo dois mortos e oito feridos. "Em nenhum momento a Syngenta autorizou o uso de força ou armas para manter a segurança da estação experimental", informou o comunicado. "Inclusive, temos uma cláusula contratual que estabelece que os profissionais terceirizados daquela unidade devem prestar serviços desarmados." Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), no momento da ocupação da propriedade por 150 sem-terra, havia quatro seguranças armados.     Valmir Motta de Oliveira, 32 anos, líder sem-terra, foi morto com dois tiros, um no abdômen e outro na perna. Valmir, que era conhecido por Keno, era uma das principais lideranças do MST no Oeste do Paraná e liderou a ocupação pela manhã na fazenda. O segurança morto, Fábio Ferreira, 25 anos, levou um tiro na cabeça. O confronto, de acordo com a Polícia Militar, aconteceu por volta das 13h30 em frente ao portão de entrada da fazenda. O confronto aconteceu durante tentativa dos seguranças da propriedade de retomarem o localEm nota, a entidade afirmou que "as armas foram tomadas e entregues à polícia". A polícia informou que recebeu apenas um revólver calibre 38. O MST afirmou ainda que os seguranças abandonaram o local e nenhum deles permaneceu como refém. Mas logo depois, um ônibus teria parado em frente ao portão e aproximadamente 40 pessoas desceram atirando. "A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores", afirmou o MST.A multinacional refutou "com veemência" qualquer declaração de que ela teria dado ordem para que os seguranças disparassem. O advogado da NF Segurança, Hélio Ideriha Júnior, disse que a empresa está constituída legalmente e os funcionários atuam dentro da lei. Ele disse que entrará com pedido de liberdade para os sete seguranças presos e reclamou que nenhum dos sem-terra foi detido. UDRO presidente da União Democrática Ruralista (UDR) Luiz Antonio Nabhan Garcia responsabilizou hoje os governos estadual e federal pelo conflito. "O que aconteceu é resultado da leniência do governo federal e da conivência do governador Roberto Requião com as ações ilegais dos sem-terra", acusou Nabhan. Segundo ele, o governador paranaense "dificulta ao máximo" o cumprimento das decisões judiciais de reintegração de posse das áreas invadidas. "Ele apóia tudo o que o MST faz, inclusive as invasões."

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