Empresário espanhol é preso no Rio acusado de tráfico

Oliver Ortiz Martin, de 35 anos, foi detido em sua cobertura triplex avaliada em R$ 3 milhões na Barra da Tijuca

Marcelo Gomes e Sergio Torres, Agência Estado

27 Junho 2013 | 11h45

Atualizado às 11h

Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal prenderam, na manhã dessa quinta-feira, 27, o espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, de 35 anos, em sua cobertura triplex, avaliada em R$ 3 milhões, localizada a poucos metros da praia da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva por lavagem de dinheiro oriundo de tráfico internacional de drogas. Se condenado, pode pegar de três a dez anos de prisão. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de todos os bens de Martin, avaliados em R$ 20 milhões.

Segundo a PF, Martin explorava duas rotas marítimas de tráfico internacional de cocaína a partir da Colômbia. Uma delas levava a droga para países da Europa. A segunda, para a Austrália. As investigações começaram em 2011, após a polícia australiana interceptar o veleiro Friday Freedom, que levava cerca de 300 quilos de cocaína para lá. Quatro espanhóis foram presos na embarcação.

"Sem dúvida, a rota mais lucrativa era a australiana, onde o preço de revenda do quilo da cocaína pode chegar a 100 mil dólares. A carga apreendida em 2011 no veleiro foi avaliada em R$ 240 milhões", explicou o delegado da PF Paulo Teles.

Após investigações, as autoridades australianas alertaram a PF de que o "articulador" da remessa de cocaína seria Martin, e que ele estaria vivendo no Rio. O estrangeiro foi localizado e começou a ser monitorado pela PF. Os agentes comprovaram que o esquema de Martin não utilizava o Brasil como rota. Ele apenas "lavava" o dinheiro de suas atividades ilícitas, com a compra de imóveis e carros luxuosos, além de abrir empresas em seu nome.

O espanhol vivia no Rio desde 2009, quando deu entrada em pedido de residência permanente no Brasil. Por aqui, casou-se com uma brasileira e teve um filho. Não tem passagens pelas polícias no Brasil e nem na Espanha.

Para despistar as autoridades brasileiras, Martin investia parte de seu dinheiro em empresas. Chegou a abrir duas boates e um restaurante, que já fecharam. Também chegou a montar uma academia, que sequer chegou a entrar em funcionamento.

Recentemente adquiriu por R$ 4 milhões uma mansão no alto de uma montanha no luxuoso bairro do Joá, que dá vista para as praias da Barra e de São Conrado. O imóvel, que estava sendo totalmente reformado, possui oito suítes, elevador panorâmico e piscina com deck. O estrangeiro também é dono de dois terrenos em Queimados, na Baixada Fluminense.

Ferrari. Em seu triplex na Barra, a PF encontrou R$ 175 mil, 150 mil dólares e 110 mil euros em espécie. Duas picapes Hilux e uma moto Harley-Davidson foram apreendidas na garagem. Uma Ferrari também foi apreendida na Euro Imported Cars, concessionária de carros importados na Barra. O veículo, recém- adquirido, ainda não havia sido retirado da loja porque estava sem seguro.

A concessionária já tinha sido interditada em 2011, na Operação Black Ops da PF. Na ocasião, os agentes descobriram que o estabelecimento teria importado ilegalmente dos Estados Unidos 103 carros de luxo usados, o que contraria as leis brasileiras. Os veículos eram vendidos a cantores e jogadores de futebol, segundo a PF. O atacante Emerson Sheik, do Corinthians, e o volante Diguinho, do Fluminense, respondem a processo na Justiça Federal por lavagem de dinheiro e contrabando, acusados de terem comprado veículos importados ilegalmente pela Euro Imported.

A PF não revelou o conteúdo do depoimento de Martin. Tampouco informou se o estrangeiro já constituiu advogado de defesa. Após depor, ele foi levado ao Presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte.

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