Empresários pedem mais crédito em reunião sobre crise

Ministros da área econômica e os presidentes do Banco Central e do BNDES ouviram nesta quarta-feira de representantes do setor produtivo e financeiro apelos por novas desonerações e medidas adicionais que contribuam para a regularização do crédito no país em meio à crise global. Segundo empresários que participaram da segunda reunião do grupo de acompanhamento da crise instituído pelo governo em dezembro, essas duas questões domininaram as exposições feitas pelos executivos no encontro. "Queremos mecanismos para que o crédito flua para a atividade econômica", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy. Ele argumentou que os recursos de longo prazo emprestados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tradicionalmente levam meses para serem desembolsados após a aprovação. Para suprir essa lacuna, a Abdib reivindica que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal atuem com mais força na concessão de "empréstimos-ponte", por meio dos quais as instituições financeiras antecipam os recursos do financiamento. Paulo Simão, presidente da CBIC, que representa o setor de construção civil, queixou-se de que as empresas do setor estão tendo dificuldades para acessar a linha de capital de giro de 3 bilhões de reais da Caixa Econômica Federal anunciada pelo governo para a construção civil em novembro. Segundo os empresários, a CEF não está aceitando que os empreendimentos das empresas, com seus recebíveis e fluxos de caixa, sirvam como garantias exclusivas para os financiamentos. "Ela (CEF) quer garantias externas", afirmou Simão. Segundo ele, até o momento apenas 50 milhões de reais da linha foram efetivamente acessados pelo setor. Simão acrescentou que o setor também aguarda para o próximo dia 15 o anúncio do pacote de habitação por meio do qual o governo espera estimular a venda de 500 mil novos imóveis em 2009. Durante a reunião, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento) e os presidentes Henrique Meirelles (Banco Central) e Luciano Coutinho (BNDES) não anunciaram novas medidas e "mais ouviram do que falaram", nas palavras dos empresários. As reuniões do grupo de acompanhamento da crise estão previstas para ocorrer todas as primeiras quarta-feiras do mês. (Reportagem Isabel Versiani)

REUTERS

04 de fevereiro de 2009 | 19h52

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