Empresas em SP barram projeto com árvores grandes

O projeto de arborização de todos os municípios paulistas elaborado pela Secretaria do Estado Meio Ambiente vem tendo com obstáculo a política urbanística de companhias elétricas que atuam no Estado. Enquanto a secretaria quer plantar árvores de grande porte, as empresas recomendam as de pequeno e médio portes. A justificativa é que as árvores altas ameaçam os fios de transmissão de energia, além de ter raízes que podem danificar calçadas e estruturas subterrâneas, como redes de distribuição de água e coleta de esgoto.

AE, Agencia Estado

24 Junho 2009 | 09h00

Para a secretaria, espécies pequenas não fornecem serviços ambientais, como melhoria na qualidade do ar. ?O que se recomenda é arbustização, que não tem função, não sombreia, não serve para nada?, diz José Walter Figueiredo, gerente executivo do projeto Municípios Verdes. Segundo ele, a arborização pode juntar serviço ambiental e fornecimento de energia elétrica de qualidade para os consumidores. Uma maneira, afirma, é compactar os fios, tecnologia que reduz a área livre necessária perto dos cabos.

Para o agrônomo Demóstenes Ferreira da Silva Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, ?árvore de pequeno porte é arbusto e não traz benefícios?. Segundo ele, essas espécies são usadas porque as empresas usam uma tecnologia centenária. O gerente de meio ambiente da CPFL Energia, Rodolfo Nardez Sirol, diz que a compactação dos fios pode ser feita em novos empreendimentos, mas que expandir a iniciativa para toda a rede instalada traria um custo proibitivo - não especificado por ele. Além disso, a tecnologia ?não resolve 100% dos problemas?.

A distribuição subterrânea, outra forma de resolver a questão é dez vezes mais cara e o custo seria repassado ao consumidor. As árvores são uma das principais causas de interrupção de fornecimento de energia, principalmente quando chove, afirmam as empresas. Em nota, a AES Eletropaulo diz que ?a utilização de rede compacta não elimina a necessidade de adequação do modelo arquitetônico natural das árvores, ou seja, a poda de árvores sempre será uma atividade necessária?. Diz ainda que a poda de condução ?pode representar um alto custo para as prefeituras?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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