Empresas investem no gás natural veicular

A expansão do uso do gás natural veicular (GNV) no Brasil tem impulsionado importantes investimentos no setor, seja em infra-estrutura ou novas tecnologias. A Ipiranga, por exemplo, vai investir R$ 40 milhões no mercado e acrescentar 40 postos de abastecimento em todo País. Até o final do ano passado, a empresa havia inaugurado 100 novos estabelecimentos - número 37% superior a 2002. As novas unidades serão abertas não apenas nas capitais, mas também em cidades do interior como São José dos Campos (SP), Resende (RJ), Itaboraí (RJ), Olinda (PE) e Duque de Caxias (RJ). A expectativa é incentivar ainda mais o uso do gás natural veicular e, assim, aumentar a distribuição que hoje atinge 17 milhões de metros cúbicos por mês. Segundo a Associação Nacional de Gás Natural Veicular (ABgnv), em sete anos o número de postos subiu 4.750%, de 14 estabelecimentos em 1996 para 679, em 2003. A expectativa é atingir 1.002 postos até o final do ano que vem e elevar o consumo de 3.820 para 5.700 metros cúbicos por dia. Para alcançar esses números, cerca de 1 milhão de veículos terão de ser convertidos para o gás natural. Hoje a frota nacional - de 660 mil veículos - é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Argentina, que tem 1 milhão de veículos movidos a gás. Além de automóveis, o foco do setor nos próximos anos deverá ser a frota de transporte público, hoje movida a partir do óleo diesel. O uso do gás reduziria, por exemplo, as emissões de monóxido de carbono em 76% e de óxidos de nitrogênio em 84%. Esse apelo ambiental já despertou o interesse de grandes empresas como Mercedes Benz. A montadora já exportou neste ano 112 ônibus movidos a gás. No ambiente interno, no entanto, o mercado ainda é incipiente quando se trata de transporte público. Segundo o assessor de Relações Governamentais da empresa no Brasil, Mario Luz Teixeira, o produto está pronto, mas não há demanda suficiente.Outra companhia que desenvolve projetos ligados ao gás natural é a Robert Bosch, que desenvolve o conceito de veículo multicombustível: o Tri Fuel. A proposta é fazer com que um veículo se locomova usando GNV, álcool ou gasolina. "O objetivo é oferecer ao mercado uma solução tecnológica que, ao mesmo tempo, permita flexibilidade, economia e satisfação ao dirigir", afirma Fábio Ferreira, gerente de Desenvolvimento de Produto e Aplicação da Unidade de Sistemas à Gasolina da Bosch.

Agencia Estado,

21 de abril de 2004 | 09h34

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