Empresas que queimam carvão financiam cético do efeito estufa

Empresas americanas que queimam carvão para gerar eletricidade estão fazendo uma coleta de recursos para ajudar um dos poucos cientistas que ainda duvidam de que o aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis vem provocando danos ao mundo.O professor da Universidade Virgina e climatologista Pat Michaels disse a grandes empresários, no ano passado, que estava ficando sem dinheiro para suas análises do trabalho de outros cientistas sobre o aquecimento global. Na semana passada, uma empresa do Colorado organizou uma campanha de coleta de fundos para socorrê-lo, levantando pelo menos US$ 150.000 em doações e promessas.A empresa de geração de eletricidade Intermountain Rural Electric Association of Sedalia (Irea) deu a Michaels US$ 100.000 do próprio caixa e começou a pedir doações, de acordo com o gerente-geral, Stanley Lewandowski. Em carat enviada a 50 outras geradoras de energia, Lewandowski argumenta que "não podemos deixar que o debate seja monopolizado pelos alarmistas". Ele também pediu que as empresas lancem um ataque aos cientistas "alarmistas".Michaels and Lewandowski falam abertamente sobre o dinheiro, e não vêem problema na questão. Alguns outros cientistas e defensores do meio ambiente chamam esse relacionamento de claro conflito de interesse. Outros vêem a situação como uma operação de lobby."Essas pessoas estão cuspindo contra o vento", diz John Holdren, presidente da Associação Americana para o progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês). "O fato é que a mensagem da ciência e a perspectiva popular é de que o clima está mudando".O editor-chefe da revista científica Science, uma das principais publicações da comunidade científica mundial, diz que gente como Michaels são mais lobistas do que cientistas. "Não é mais antiético do que a maior parte dos lobbies", disse ele. Em 1998, Michaels fez duras críticas ao cientista da Nasa James Hansen, acusando o pai das pesquisas sobre aquecimento global de ter errado, por uma grande margem, uma previsão feita em 1988 sobre os rumos do clima. Mas Hansen e outros cientistas disseram que Michaels estava sendo desonesto, pois citava apenas o cenário mais pessimista dos três apresentados por Hansen. O cenário apontado por Hansen nos anos 80 como o mais provável previa temperaturas mais baixas que as registradas de fato.

Agencia Estado,

27 de julho de 2006 | 18h32

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