Empresas também dão seus cursos

Fabricantes de máquinas para cana vinham tendo dificuldades para [br]arranjar quem operasse equipamentos no campo

Luiz Gallo, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2008 | 03h02

A necessidade de qualificação no setor canavieiro também fez com que grandes empresas fabricantes de máquinas agrícolas oferecessem cursos para ensinar a operar suas próprias máquinas. A Santal, por exemplo, firmou parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Ribeirão Preto (SP) e formulou um curso. "Chegamos num ponto no qual as vendas estão boas, mas, quando a máquina chega na lavoura, ninguém sabe operá-la", diz o responsável Pós-Venda, Marco Gobesso.Os cursos duram entre dois e cinco dias e funcionam assim: os clientes que compram as máquinas mandam seus funcionários para o Senai de Ribeirão. Os alunos, em sua maioria, já trabalham no setor, mas não têm experiência com os novos equipamentos. "Alguns escolhem os melhores funcionários da colheita manual para se qualificarem", diz Gobesso.Mário Sérgio Borges é um deles. Ele tem 33 anos, e não pensava que trabalharia no setor canavieiro quando saiu de Tamaraju (BA). Aos 15 anos foi para Nova Olímpia (MT), em busca de emprego. Borges trabalhou como pedreiro antes de ser contratado como auxiliar de mecânico na Usina Itamaraty, em 1991. "O início foi complicado, não sabíamos nada, as máquinas eram poucas, e as informações sobre elas, nenhuma", conta o trabalhador.Em 1994, Borges foi promovido a mecânico de máquinas colhedoras e, com o incentivo da usina, começou a estudar. Hoje, Borges é inspetor de mecânica e se formou no curso do Senai/Santal antes de as novas máquinas chegarem à usina.Borges assegura que sua qualidade de vida e remuneração melhoraram muito. E que o setor está aberto a contratações. "Quem se especializa tem vaga."Engenheiro agrônomo, formado em 1967 pela Esalq/USP, Antônio Carlos Girol assumiu a gerência industrial da Usina São Domingos, em Catanduva (SP), logo que se formou, em 1967. "A usina não tinha computador, nem telefone." Quando começou, a produção era de 100 mil toneladas de cana. "Hoje, são 2 milhões."Após 40 anos, Girol continua na São Domingos. Agora, com 65 anos, é diretor-industrial e um dos alunos do MTA da UFSCar. Começou o curso em fevereiro de 2007 em Catanduva. "Girol é nosso maior exemplo. Ele poderia estar acomodado, mas está se aperfeiçoando", diz o professor Valsechi. "Para mim foi uma volta aos estudos. Aplico o que aprendo todos os dias e ainda conto sobre minha experiência", comenta Girol.Como diretor-industrial, Girol também fala da dificuldade para encontrar funcionários qualificados. "O problema é se acomodar. Se eu ficasse no sofá, seria mais difícil entender o crescimento e a mecanização por que passa o setor." L.G.Onde se qualificarO Ceise, em parceria com a UFSCar, promove o curso de MTA em Gestão da Produção Sucroalcooleira. As incrições estão abertas no Ceise, em Sertãozinho (SP), até sexta-feira, dia 7 de março. A Udop, em parceria com a Faap, oferece cursos de pós-graduação na área sucroalcooleira nos municípios de Ribeirão Preto e Araçatuba (SP). A Fatec oferece em Araçatuba um curso superior tecnológico de Bioenergia Sucroalcooleira. O Senar oferece cursos de capacitação para trabalhadores do corte de cana.

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