Empurração europeia

Empurração europeia

Entrevista - Carlos Paviani, diretor executivo do Ibravin

Patrícia Ferraz - O Estado de S.Paulo,

21 Março 2012 | 18h32

A posição do Ibravin provocou críticas veementes e um abaixo-assinado eletrônico com 3 mil assinaturas contra o aumento de imposto de vinhos importados. Tanta polêmica não põe no chão dez anos de trabalho pela imagem do vinho brasileiro?

Pode ser. Está havendo um exagero de reações. Não houve essa reação ao aumento do imposto ao carro importado, ao limite de carne argentina... 

O que os produtores de vinho brasileiro estão querendo?

Nos últimos anos reduzimos nossa participação no mercado de vinhos finos. Há uma década tínhamos 50%, em 2011, apenas 21%, num mercado que está crescendo, se qualificando. Se continuar assim logo teremos participação zero.

E a ideia é recuperar a participação no mercado diminuindo a presença de importados?

Nosso objetivo não é tirar os vinhos importados das prateleiras, nem aumentar impostos. É conseguir crescer, dividir com eles o mercado. E precisamos da salvaguarda para renovar vinhedos, modernizar processos.

Mas quem está liderando esse movimento são os grandes, que detém 50% da produção. Empresas como Miolo, Salton precisam de proteção para modernizar processos, renovar equipamentos?

Sim, precisam para pagar o endividamento, os investimentos já feitos. Há 17 itens, além do consumo, que mostram as dificuldades do setor. Além disso, está havendo uma reorganização do mercado vinícola no mundo. Atualmente há sobra de vinho, a União Europeia está fazendo promoções de seus vinhos em outros mercados e o Brasil tem sido alvo. Precisamos de medidas preventivas. 

O vinho brasileiro é caro. Adianta aumentar o preço do importado sem baixar o do nacional?

Acreditamos que as medidas permitirão tornar o vinho nacional mais competitivo, aumentar a produtividade, reduzir preços de matéria-prima em 15%...

E com essas medidas o o preço do vinho nacional vai baixar para o consumidor?

A política de preço é determinada por cada empresa. Mas será possível evitar que os preços do vinho brasileiro subam.

Essas medidas vão acabar fazendo os brasileiros tomarem mais vinho argentino...

É possível que isso aconteça. Eles são mais competitivos, têm volume e escala.

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