Enchente rompe barragem, invade fazendas e alaga lavouras em GO

Área em dois municípios ficaram debaixo de água depois de rompimento na barragem da usina Espora

Gustavo Miranda, estadao.com.br

31 de janeiro de 2008 | 08h15

O excesso de chuvas na região da usina hidrelétrica Espora, no rio Corrente, entre as cidades de Itarumã e Aporé, no Sudoeste de Goiás, fez com que a barragem da usina rompesse, na quarta-feira, 30. Ainda não há informações sobre vítimas no local, que fica próximo à divisa com São Paulo, mas segundo Aluísio Darly Martins, piloto que sobrevoou a região para a Defesa Civil goiana, pelo menos sete fazendas ficaram inundadas, bois e vacas estão com água até a cabeça e quatro pontes já foram arrastadas pelas águas. O rio Corrente, que formava o lago da usina, teve sua vazão aumentada em cerca de 30 metros cúbicos por causa da chuva e, com o rompimento da barragem, deixou um rastro de destruição ao longo de sua margem, atingindo uma extensa faixa de vegetação. Plantações foram destruídas pelo rápido aumento da vazão. Segundo Darly, fazendeiros da região reclamam que parte do rebanho de gado também teria sido levada pela força das águas. Ainda não se tem notícia de pessoas desaparecidas ou mortos. Segundo Darly, a inundação na região foi intensa. O rio Corrente tem 140 quilômetros de extensão até o rio Parnaíba, na divisa com o Mato Grosso do Sul. A fúria das águas já fez o rio transbordar em pelo menos 100 quilômetros da sua extensão. "O estrago aqui é muito grande. Sobrevoamos a região até o ponto onde a enchente vai levando tudo. Vi geladeiras boiando, a água já levou quatro pontes e deve levar o que mais surgir pela frente", diz o piloto. A usina Espora é do consórcio Espora Energética. É uma pequena hidrelétrica com 32 MW,e representa apenas 0,0319% da capacidade de geração do País, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A região não é muito habitada, o que diminui os riscos de uma tragédia nas cidades afetadas pelo rompimento da barreira. "O trânsito está interrompido na GO 206, que liga Itajá a Itarumã. Vi muito bananal, lavoura de soja, destruídos pela onda de água", conta Darly. Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar (PM), fiscais ambientais, técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da empresa administradora da usina fazem ainda um levantamento preliminar das conseqüências desse acidente e devem divulgar até o final do dia um relatório parcial do impacto ambiental.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.