Encontro em Tóquio debate regras climáticas pós-Kyoto

Autoridades dos países desenvolvidos e em desenvolvimento reúnem-se nesta quarta-feira, 24, em Tóquio, para discutir como dar continuidade ao Protocolo de Kyoto, documento de compromissos sobre mudança climática. Os 20 países que participam da conferência "informal" de dois dias, incluindo Estados Unidos, China e Índia, respondem por cerca de 70% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa, disseram autoridades do Ministério das Relações Exteriores do Japão. A conferência é presidida por Japão e Brasil. "Há um crescente reconhecimento de que precisamos de uma resposta global à mudança climática, e precisamos atrair ainda mais países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil", disse Yvo de Boer, chefe do Secretariado Climático da Organização das Nações Unidas (ONU). "Estes países acham muito importante conseguir crescimento econômico e erradicar a pobreza", disse ele a repórteres em Tóquio. "Isso significa que temos que encontrar meios de apresentar incentivos para estes países agirem na questão de mudança climática". O Protocolo de Kyoto obriga 35 países desenvolvidos a cortarem emissões de gases causadores do efeito estufa a níveis 5% abaixo dos padrões de 1990, entre 2008 e 2012. Mas os países que assinaram o protocolo são responsáveis por apenas um terço das emissões no mundo. "Um dos objetivos da conferência é convencer os países em desenvolvimento a aderir ao documento", disse uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores do Japão. "Por ser um encontro informal, as pessoas que participam podem trocar idéias com mais liberdade". A autoridade disse que a conferência de Tóquio, a quinta deste tipo, tem por objetivo ajudar a abrir caminho para a comunidade internacional estabelecer regras sobre combate à mudança climática depois do final do Protocolo de Kyoto, em 2012. "O Protocolo de Kyoto fornece compromissos apenas até 2012, nada além disso", disse De Boer. "Acho que o próximo ano será absolutamente crítico em termos de avanço para a próxima fase das negociações internacionais. Acho que as reuniões que estão acontecendo aqui podem dar uma importante contribuição ao processo". Os EUA, que são a maior fonte do mundo de gases causadores do efeito estufa, retiraram-se de Kyoto em 2001, dizendo que o acordo provocaria cortes de empregos e excluía países em desenvolvimento como China, Índia, África do Sul e Brasil. O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu na terça-feira para os norte-americanos cortarem o uso de gasolina em 20% em uma década, principalmente através de um aumento de quase cinco vezes no uso de combustíveis alternativos, como etanol, até 2017. Em seu discurso anual sobre o Estado da União, Bush pediu maiores padrões de eficiência nos combustíveis para veículos e a dobro da capacidade de Reserva Estratégica de Petróleo, para 1,5 bilhão de barris, até 2027. Boer saudou o discurso de Bush e disse: "Acho importante reconhecer que o clima sobre o clima está mudando nos EUA".

Agencia Estado,

24 de janeiro de 2007 | 13h44

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