Enem tem falta de padrão na logística

Coordenadores da aplicação do exame deram 3 versões diferentes para a chegada dos cadernos às salas; Inep diz que regra é uma só

O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2011 | 03h03

A dois dias do início do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informações desencontradas sobre a logística da prova podem colocar em risco a segurança do processo. Coordenadores de aplicação de diferentes locais do Brasil relataram três versões de como as provas sairão da guarda do Exército, onde estão protegidas à espera do exame, e chegarão às escolas para a aplicação. O Inep, responsável pela prova, nega divergências.

O Estado ouviu nove coordenadores. Segundo o relato de uma professora que vai trabalhar na cidade pernambucana de Petrolina, as provas serão retiradas do quartel pelos coordenadores no sábado, às 7 horas, e ficam sob a responsabilidade deles até as 10 horas, quando devem estar nas escolas.

"Os chamados 'chefes de prédio', responsáveis por coordenar a aplicação dos exames, estão autorizados a retirar todos os cadernos de perguntas que serão usados nas instituições em que vão trabalhar", conta ela. "Daí em diante, o que cada um faz com as provas, se leva para casa, se deixa no carro, é responsabilidade dele." São 38 chefes de prédio nessa cidade.

Foi no município pernambucano que, no ano passado, o vazamento do tema da redação foi apontado pela Polícia Federal. Dois professores da cidade de Remanso (BA), que trabalhavam no exame, teriam tido acesso à prova e repassado informações ao filho, que fez o Enem em Petrolina. O estudante teve a prova cancelada, mas como o Ministério da Educação considerou o vazamento um "evento isolado", a edição de 2010 foi validada.

Horário. A coordenadora de Petrolina, com duas décadas de docência, afirma que na cidade vizinha Juazeiro, na Bahia, o esquema é o mesmo. "Ou seja, toda a preocupação do governo federal com o sigilo fica inútil a partir das 7 horas."

As provas, nestes casos, só devem chegar às unidades de aplicação às 10 horas. É diferente do relatado por uma coordenadora em Aracaju: na capital sergipana, as provas chegam às escolas antes, às 7 horas.

Em Araçatuba, cidade paulista a 530 km de São Paulo, a regra é outra, segundo relato. As provas também devem chegar aos locais do exame levadas por coordenadores. Uma coordenadora, que não quis se identificar, disse que as caixas com as provas são guardadas em uma sala comercial alugada, onde ficam até o dia do exame.

Segundo o Inep, todo transporte é feito por funcionário dos Correios - empresa contratada para essa parte da logística. A versão foi uma das relatadas por coordenadores de outras regiões do País. Apesar de não revelar detalhes do procedimento, o Inep afirma que as regras devem ser idênticas em todas as cidades. Segundo o órgão, um treinamento teve o objetivo de garantir a padronização - ao todo, são 435.065 pessoas envolvidas. Além de fiscais e aplicadores, há coordenadores estaduais, municipais e de unidade de aplicação. / TIAGO DÉCIMO, CHICO SIQUEIRA, CARLOS LORDELO e PAULO SALDAÑA

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