Energia e logística pedem mais recursos, diz diretor

O diretor de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Carlos Ferraz, disse ontem que a retomada dos investimentos industriais ajudará o País a evitar uma eventual pressão inflacionária em 2010. Ferraz disse esperar um crescimento de 2% na taxa de investimento do setor privado já no terceiro trimestre de 2009, na comparação com o trimestre anterior. Mantida a tendência, completou, a ampliação da oferta poderá desestimular a inflação.

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2009 | 00h00

Para Ferraz, o principal sinal do cenário de ampliação da oferta a partir de 2010 é o volume de pedidos de financiamento na área de infraestrutura superando os desembolsos que o banco está fazendo agora.

No último balanço trimestral do banco, os desembolsos para este setor alcançaram R$ 31,5 bilhões entre janeiro e setembro, mas as aprovações somaram quase R$ 38 bilhões, indicando crescimento na taxa de investimento mais à frente.

Segundo ele, os setores de infraestrutura que mais estão demandando investimento são os de energia e logística, com a construção de portos e rodovias. Além disso, houve aumento da demanda por máquinas e equipamentos para a indústria por meio da linha especial do banco, a Finame. "Há um movimento de retomada do investimento no setor privado. Se essa trajetória continuar, significa que a pressão sobre a inflação no futuro será menor", disse Ferraz, depois de palestra no Fórum Alumni Coppead 2009.

Ferraz citou, como outro sinal de retomada, o crescimento do nível de utilização de capacidade instalada na indústria: na sua opinião, o nível pré-crise de cerca de 80%, quando geralmente as empresas começam a investir, será restabelecido já no primeiro trimestre de 2010.

"Isso não significa que vamos recuperar o nível de investimento de antes da crise, que era muito forte. A recomposição da relação investimento/PIB demora mais para ser recomposta, porque a queda foi muito acentuada. Caiu 17%no primeiro trimestre deste ano em relação ao último do ano anterior. Mas, no segundo, parou. Hoje estamos projetando que ela cresça 2% sobre o segundo semestre. Significa que, se olharmos graficamente, estamos agora subindo a perna do V da taxa de investimento."

Para Ferraz, o aumento do investimento vai se manter em 2010, mesmo com o fim dos juros baixos de 4,5% ao ano do programa especial de manutenção do investimento em bens de capital em dezembro. O diretor do BNDES projeta crescimento do PIB a uma taxa média de 5% ao ano nos próximos quatro anos, a partir de 2010. Para ele, o grande desafio é aumentar os níveis de poupança interna.

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