Enfermeira diz que menina austríaca foi torturada

Uma enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Cruz, onde a menina austríaca Sophie Zanger, de 4 anos, recebeu os primeiros cuidados médicos, relatou à polícia que o quadro da criança era compatível ao de quem sofria constantes agressões. A menina tinha o rosto desfigurado, trauma encefálico, fratura no pulso esquerdo e hematomas novos e antigos. O delegado Agnaldo Ribeiro da Silva deve pedir hoje a prisão preventiva da tia Geovana dos Santos, de 42 anos, que tinha a guarda provisória da criança, e da filha dela, Lílian dos Santos, de 21 anos, que a levou para a UPA, após supostamente a menina levar um tombo no banho.

AE, Agencia Estado

25 Junho 2009 | 09h54

As duas devem ser acusadas por crime de tortura. Sophie morreu no dia 19. A enfermeira Deise Bastos, de 44 anos, disse em seu depoimento à polícia que ?não foi fatalidade. Foi crueldade. Aquela criança foi torturada?. A criança estava desidratada, desnutrida e chegou em coma nível 3 na escala Glasgow, que vai até 6. A vítima não tinha abertura ocular, resposta verbal ou motora. ?Não acredito que um tombo provoque uma lesão com afundamento de crânio?, ressaltou.

Deise contou à polícia que Sophie chegou à UPA molhada e vestida com uma calça rosa e uma blusa, por volta das 17h30 do dia 12. ?Quando notei as manchas roxas nos braços, tirei a roupa da menina e toda a equipe médica ficou chocada. Entendi que a vestiram para esconder os hematomas?, disse. Ao ver o estado da menina, a médica de plantão pediu que os seguranças chamassem a polícia e o Conselho Tutelar. Nesse momento, Lílian fugiu da UPA. Sophie foi entubada e a equipe começou a preparar sua transferência. Lílian retornou à UPA com a mãe, o pai e o primo R., de 12 anos, irmão de Sophie. ?Os adultos aparentavam indiferença, mesmo após ver o corpo?, disse a enfermeira.

A Secretaria Nacional de Justiça formou uma comissão para acompanhar o caso. Ontem, chegaram ao Rio três representantes para acelerar os procedimentos burocráticos para a liberação do corpo de Sophie e a passagem da guarda de R. para o pai austríaco Sasha Zanger. A mãe das crianças, a brasileira Maristela dos Santos, trouxe Sophie e o irmão R. da Áustria sem o consentimento do pai em janeiro de 2008. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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