Enfrente o azedume no copo

O primeiro gole em uma cerveja azeda pode ser o último. É um gosto selvagem: vinagre balsâmico, madeira (algumas são maturadas em barris), aromas de frutas, uma doçura marcante e, quando o gole termina, um estalo final de sal. Há quem diga que azedume demais é defeito, que em vez do 'Ahh' entoado com satisfação refrescante, produz um 'Uhh' com formação de careta retorcida. Não nestas cervejas.

DANIEL TELLES MARQUES, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2013 | 02h13

Intencionalmente pensadas para travar a língua e comumente caracterizadas por autores especializados como 'complexas' - o que de fato são -, as cervejas azedas desafiam quem bebe.

Outro epíteto, de "contaminadas", também pode assustar. Mas as mais famosas cervejas azedas do mundo, as lambics, produzidas nos arredores de Bruxelas, na Bélgica, são como são em parte por causa das bactérias crescidas nas cervejarias e em seus entornos, que interferem na fermentação das cervejas, dando gostos peculiares às receitas.

Não bastassem as bactérias infestando o líquido, cervejarias artesanais dos Estados Unidos incrementaram o azedo e passaram a produzir bebidas do estilo envelhecidas em barris onde já descansaram vinhos, bourbons e uísques, dando, além do azedo, gostos pouco usuais às cervejas. A acidez é só o começo.

Participaram dessa degustação - sem fazer caretas - o sommelier de cervejas e charcuteiro René Aduan e o mestre cervejeiro André Leme, da cervejaria Urbana. Aos copos!

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