'Enquanto o pessoal anota, eu só observo'

Eduardo Marques descobriu em uma ONG que tinha talento extraordinário para o desenho

, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2010 | 00h00

Aos 15 anos, Eduardo Marques fala com naturalidade da facilidade que tem para criar projetos de computação gráfica em 3D, mesmo tendo pouco tempo de aprendizado. "Nas aulas, o pessoal anota as instruções do professor, mas eu não. Só de olhar o que ele faz no computador já consigo fazer igual."

Ex-aluno de uma escola municipal do Rio, o jovem descobriu que tinha um talento extraordinário para o desenho há cinco anos, quando foi apresentado a uma ONG que atende gratuitamente crianças e jovens da rede pública com altas habilidades - o Instituto Rogério Steinberg.

Desde então, ganhou bolsas de estudo em cursos de design e inglês e conseguiu uma vaga em um tradicional colégio federal, o Pedro II. "Se não tivesse sido descoberto, talvez nunca soubesse que tenho talento para a computação gráfica", diz o adolescente.

Depois que a habilidade do jovem foi identificada, os educadores da ONG o encaminharam a oficinas de criação, que estimulam a criatividade, a escrita e o uso do computador.

Eduardo aprendeu a ler aos 3 anos, mas não era um aluno excepcional no colégio e tinha dificuldades em português, geografia e química. Educadores contam que, como é comum em superdotados, o jovem apresentava pouco interesse nas aulas porque tinha um ritmo de aprendizado mais avançado que seus colegas de classe. "Eles acham que os professores repetem o conteúdo em vez de ensinar algo novo", diz Cláudia Hirszman, psicóloga do IRS.

Aluno do 1.º ano do ensino médio, Eduardo não se preocupa com vestibular. Ele está certo de que estimular seus talentos é o caminho natural para obter sucesso. "Fico praticamente o dia todo em aulas e cursos. Poderia usar meu tempo para estudar para as provas e tirar notas boas no colégio, mas e daí? Prefiro ter essas outras habilidades." / B.B.

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