Ensino do idioma tem novo boom

Pessoas sem olhos puxados procuram ensino de japonês para negócios ou para ler mangás no original

Elisa Estronioli,

23 Fevereiro 2008 | 17h36

O ensino da língua japonesa no Brasil é tão antigo quanto a imigração, mas o perfil e os objetivos dos estudantes mudaram muito em quase um século. Se no princípio o idioma era procurado apenas pelos descendentes, agora os professores encontram nas salas de aula pessoas sem olhos puxados, interessadas no japonês de negócios ou em ler mangás no original. O primeiro boom da língua ocorreu na década de 70. Por causa do desenvolvimento do Japão, muitos viam o aprendizado como diferencial no currículo. Os anos 1980 marcaram o surgimento de escolas particulares e a inclusão do idioma nos Centros de Estudos de Línguas de São Paulo e do Paraná, gratuitos para estudantes da rede pública. Em São Paulo, são 12 os centros que oferecem japonês, 7 na Capital. Mais recentemente, o idioma voltou a despertar interesse por causa dos desenhos japoneses. "Muitos mangás não têm versão em português", diz Douglas Tomio Nakata, de 17 anos, aluno da Aliança Cultural Brasil-Japão. As aulas também ajudaram nas conversas com o avô, que não fala bem o português. Na Aliança, a maioria dos estudantes ainda é nikkei (70%). "Mas o número de ocidentais cresce a cada ano", diz a professora Jaqueline Nabeta. Ao contrário dos cursos de inglês - que têm muitas crianças -, nas escolas de japonês a idade dos alunos varia entre 18 e 25 anos.Além de ajudar profissionalmente, seja aqui ou como dekassegui, saber japonês abre possibilidades de intercâmbio. Formada em Letras, Lucila Etsuko Gibo acaba de ser aprovada para uma bolsa de mestrado no Japão, terra de seus pais.

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