Entenda a questão nuclear da Coréia do Norte

Fechamento de usina é parte de acordo firmado em fevereiro.

BBC Brasil, BBC

16 de julho de 2007 | 09h26

A Coréia do Norte desligou seu principal reator nuclear, Yongbyon, de acordo com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.A medida é parte de um acordo feito no dia 13 de fevereiro de 2007, em que a Coréia do Norte promete desligar e desativar Yongbyon em troca do fornecimento de combustível e outros tipos de ajuda.A Coréia do Norte já recebeu um carregamento de combustível da Coréia do Sul como parte do acordo.Embora o desligamento do reator seja, de fato, um importante passo adiante, especialistas advertem que ainda há um longo caminho pela frente.Entenda, abaixo, por que o programa nuclear da Coréia do Norte causa tanta preocupação para a comunidade internacional.A Coréia do Norte disse que desligaria o reator de Yongbyon em 60 dias. Em troca recebeu a promessa da entrega de 50 mil toneladas de combustível fornecido por cinco outros países envolvidos nas negociações nucleares - Estados Unidos, China, Coréia do Sul, Japão e Rússia.A Coréia do Norte deveria então declarar todas as suas instalações nucleares e desativá-las e receberia então mais 950 toneladas de combustível.A Coréia do Norte também concordou em convidar a AIEA a retornar ao país para monitorar o acordo e disse que começaria as conversações para normalizar suas relações diplomáticas com Estados Unidos e Japão.Tem grande valor simbólico - é uma indicação clara de que a Coréia do Norte leva a sério o acordo. Mas desligar o reator é um processo relativamente simples. Ele pode ser ligado novamente.O teste mais duro virá depois, quando a Coréia do Norte tiver que desativar permanentemente o reator.E para complicar ainda mais a situação, algumas das questões mais difíceis ainda não foram levantadas - tais como se a Coréia do Norte tem um programa secreto de enriquecimento do urânio, ou o que acontece com qualquer arma nuclear que a Coréia do Norte já tenha.Analistas mais céticos afirmam que o acordo de fevereiro é semelhante a um de 1994.Aquela negociação fracassou depois que os Estados Unidos acusaram a Coréia do Norte de manter um suposto programa de enriquecimento de urânio, e a Coréia do Norte acusou os Estados Unidos de renegar um acordo para o fornecimento de dois reatores nucleares.Embora existam sinais de uma reaproximação entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte, ainda há suspeitas dos dois lados e um grande potencial para problemas e atrasos.Não. Já há um grande atraso em seu andamento por causa de divergências sobre questões bancárias.Durante meses a Coréia do Norte se recusou a cooperar até que tivesse acesso a recursos da ordem de US$ 25 milhões que tinham sido congelados em uma conta em um banco de Macau.Os recursos foram congelados depois que so Estados Unidos alegaram que eles estavam ligados a lavagem de dinheiro e falsificação.Embora os Estados Unidos tenham suspendido o bloqueio do dinheiro depois do acordo de fevereiro, a transferência do dinheiro demorou porque vários bancos internacionais tinham receio de receber o dinheiro.Em junho, quando o Dalkombank, no leste da Rússia, concordou em atuar na transferência de dinheiro de Macau para Pyongyang.A transferência completa dos fundos foi confirmada no dia 25 de junho, permitindo que o processo de inspeções e envio de combustível fosse iniciado.As ambições nucleares da Coréia do Norte têm o potencial de se tornarem a mais grave ameaça no curto e longo-prazo à segurança do Leste da Ásia.As duas Coréias ainda continuam, tecnicamente, em guerra,já que não foi assinado nenhum acordo de paz depois da Guerra da Coréia, de 1950 a 1953.As relações entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul melhoraram muito desde 2000, mas sua fornteira ainda é uma das mais militarizadas do mundo, com milhares de armas apontadas para a capital da Coréia do Sul.E a Coréia do Norte realizou um teste nuclear bem sucedido em 2006, aumentando muito o risco de uma corrida armamentista no Leste da Ásia, já que Japão, Coréia do Sul e Taiwan foram forçados a analisar a possibilidade de construirem o seu próprio arsenal nuclear.Depois de dezembro de 2002, quando a Coréia do Norte reativou o seu reator de Yongbyon e forçou dois monitores nucleares da ONU a deixarem o país, a Coréia do Norte disse estar trabalhando para construir seu arsenal de armas nucleares.O problema para o resto do mundo é que é muito difícil verificar a veracidade dessas afirmações.Se o reator de Yongbyon se tornar totalmente operacional, alguns analistas acreditam que pode produzir plutônio suficiente para a construção de aproximadamente uma arma por ano.A agência de inteligência americana, CIA, disse que um programa separado de urânio enriquecido poderia estar produzindo "duas ou mais" bombas anualmente, até o meio da década, embora a Coréia do Norte tenha sempre negado publicamente a existência do programa.Especialistas acreditam que a Coréia do Norte possa ter obtido plutônio suficiente para um pequeno número de bombas.As autoridades americanas acreditam que esse número seja "um ou dois".Os Estados Unidos acreditam que cerca de 8 mil bastões de combustível nuclear armazenados em 1994 poderiam ser utilizados para a produção de plutônio apropriado para armamento, acreditam os Estados Unidos.Outras estimativas indicam que a Coréia do Norte pode ter agora oito ou mais bombas.Embora a Coréia do Norte tenha testado uma bomba nuclear, analistas de segurança não acreditam que ela tenha conseguido construir um artefato pequeno o suficiente para ser lançado em um míssil.Isto significa que, pelo menos por enquanto sua única forma de lançar uma bomba seria por avião, o que os Estados Unidos e seus aliados poderiam monitorar.Mas a Coréia do Norte também está trabalhando com mísseis de longo alcance, um dos quais, acredita-se, poderia alcançar milhares de quilômetros.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. 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