Entidade reivindica cadastro centralizado

Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), uma das principais reivindicações é que exista um cadastro centralizado de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica pelo SUS. Hoje, a ausência desse mecanismo abre brecha para que pacientes se inscrevam em vários hospitais.

O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2012 | 03h06

"A sugestão é que se crie um sistema no Datasus capaz de gerenciar todo o cadastro para cirurgia bariátrica. Todo paciente que pleiteia a cirurgia constaria em um banco de dados, o que facilitaria a gestão das políticas de saúde", afirma o cirurgião Irineu Rasera.

Rasera é médico do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba, que realizou, no ano passado, cerca de 500 cirurgias bariátricas e pretende fazer, neste ano, 700 procedimentos.

"Hoje não sabemos o número de pacientes. Mesmo no meu serviço, que é muito bem organizado, não temos a informação exata de quantos pacientes estão na fila. Muitos estão duplicados. Tem alguns que estão na fila de Piracicaba, de Campinas e de Ribeirão Preto", diz.

Outro ponto a ser melhorado, de acordo com a sociedade médica, é a priorização de pacientes mais graves. Rasera explica que as portarias atualmente vigentes preveem a existência de um escore para ranquear os pacientes mais graves e puxá-los para a frente na fila.

Porém, de acordo com o especialista, essa determinação de gravidade é um procedimento muito complexo. Como consequência, o que prevalece na prática é a ordem na fila.

Para o cirurgião Ricardo Cohen, presidente da SBCBM, seria importante que os pacientes diabéticos tivessem prioridade no atendimento. "São doentes que têm fator de risco cardiovascular grande e merecem ser operados com prioridade", diz. Pesquisas mostram que obesos com diabete do tipo 2, quando se submetem à cirurgia bariátrica, apresentam uma melhora relacionada não apenas à perda de peso, mas também à própria diabete.

"O foco é que a sociedade médica deve estar perto do ministério para organizar as políticas públicas de saúde. A realidade que estamos vendo é a dificuldade no acesso à cirurgia, pacientes que acabam falecendo na fila de espera. Queremos ajudar dentro da experiencia que temos na área", diz Rasera. / M.L.

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