Reuters/Petar Kujundzic
Reuters/Petar Kujundzic

Entrada do yuan na cesta do FMI ocorrerá em outubro de 2016

Com a inclusão, moeda chinesa terá a 3ª maior participação na composição dos empréstimos internacionais do Fundo, atrás apenas do dólar e euro

Altamiro Silva Junior e Cláudia Trevisan, correspondentes, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2015 | 18h09

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta segunda-feira, 30 a inclusão do yuan, a divisa da China, segunda maior economia mundial, na cesta de moedas utilizada pela instituição nos empréstimos emergenciais para complementar as reservas dos países-membros, os chamados Direitos Especiais de Saques (SDR, na sigla em inglês). A entrada da divisa se dará a partir de outubro de 2016.

Com a inclusão, os empréstimos internacionais do FMI a partir de 2016 passarão a ter participação do yuan em uma proporção de 10,92%, de acordo com o anúncio desta segunda-feira. A divisa chinesa terá o terceiro maior peso, atrás apenas do dólar, que terá fatia de 41,7%, e do euro, com 30,9%. A libra ficará com 8,1% e o iene com 8,3%.

A entrada da moeda no SDR reflete a crescente presença da China no comércio internacional. No ano passado, o país superou a União Europeia e passou a responder pela maior parte das exportações e importações do mundo, com 15,5%. A cesta de moedas do FMI é revisada a cada cinco anos e atualmente inclui apenas dólar, euro, libra e iene. A expectativa de Pequim era de que a divisa chinesa fosse incluída na última revisão, de 2010, o que acabou não ocorrendo.

Para a inclusão agora, o país asiático se comprometeu com algumas medidas, que incluem diminuir o controle sobre a moeda e liberar de forma gradual as contas correntes e de capital, abrindo mais seu sistema financeiro.

Transparência. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, que vinha nos últimos meses demonstrando apoio à inclusão da moeda chinesa no SDR, disse nesta segunda-feira que a entrada mostra o avanço das reformas no país asiático, mas ressaltou que a expectativa é que as medidas continuem se aprofundando. A dirigente afirmou ainda que a cesta com cinco moedas reflete melhor a economia mundial e que o yuan foi aprovado pelos critérios do Fundo. Para entrar no SDR, a moeda precisa ser "livremente conversível".

Analistas destacam ainda que, com a inclusão da moeda, o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central do país), terá que apresentar o mesmo grau de transparência de outros BCs relevantes no mundo, incluindo o Federal Reserve (dos Estados Unidos) e o Banco Central Europeu.

Criado em 1969, o SDR pode ser usado pelos países-membros do FMI para pagar um aumento da participação em quotas da instituição e saldar dívidas com o Fundo, como os empréstimos feitos recentemente à Grécia e a Ucrânia. O valor da participação de cada um dos 188 membros do fundo é expresso em SDRs. O Brasil tem 4,25 milhões de SDRs, o equivalente a 1,78% do Fundo.

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