'Entrada foi necessária e legítima', diz Fleury

O segundo dia do julgamento do massacre do Carandiru teve o depoimento mais esperado da semana, do ex-governador Antonio Fleury Filho. Em cerca de meia hora, Fleury defendeu nesta terça-feira, 16, a legitimidade da entrada da Polícia Militar no Pavilhão 9 no dia 2 de outubro de 1992. "Diante de todas as informações que recebi posteriormente, a entrada foi absolutamente necessária e legítima. A omissão da polícia é tão criminosa quanto qualquer ação."

BRUNO PAES MANSO E MÔNICA REOLOM, Agência Estado

16 de abril de 2013 | 19h46

Fleury ainda assumiu responsabilidade política no episódio, que acabou influenciando sua carreira nos anos que se seguiram. "A responsabilidade política é minha. A criminal, os senhores jurados é que vão decidir", afirmou, dirigindo-se aos integrantes do conselho de sentença.

O ex-secretário de Segurança, Pedro Franco de Campos, depôs no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, após Fleury. Ele afirmou que concedeu autonomia ao coronel Ubiratan Guimarães para decidir sobre o que fazer. "O senhor avalia a situação. Havendo necessidade de entrar, o senhor deve entrar. Depois do episódio, fiquei tranquilo de que a necessidade da entrada era absolutamente necessária."

Outras quatro testemunhas foram chamadas para depor nesta terça, sendo três juízes corregedores à época do massacre. A estratégia da advogada de defesa Ieda Ribeiro de Souza era desconstruir o depoimento do agente penitenciário Moacir dos Santos, testemunha de acusação ouvida na segunda. O primeiro a depor, Ivo de Almeida disse que o problema para entrar no Pavilhão 9 era a barricada feita pelos presos - o agente penitenciário Moacir dos Santos havia dito na segunda que tinha uma chave disponível e que os PMs arrombaram o prédio "por prazer".

Já o desembargador Luiz Antonio Torres Garcia ponderou: "Era preciso ingressar para garantir a integridade dos presos. Havia risco do movimento se espalhar pelos outros pavilhões e os presos já estavam se matando. O que não era necessário era o resultado que acabou sendo obtido." O desembargador Luis Antônio San Juan França, terceira testemunha a depor, ressaltou não ter visto armas de fogo junto aos detentos, apenas armas brancas, reafirmando o depoimento das outras duas testemunhas de defesa.

A pedido do Ministério Público Estadual, os jurados começaram a ler as peças do processo às 18 horas desta terça. A leitura deve se estender pela manhã de quarta-feira e, após, quatro réus irão depor. Os nomes dos réus que serão ouvidos não foram passados pela advogada Ieda Ribeiro de Souza. Ao todo, 26 policiais militares estão sendo julgados acusados de 15 mortes no 2° pavimento da Casa de Detenção do Carandiru. Dois dos 26 não foram porque estão doentes.

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