Entre 1º e 2º teste, avaliação oscila 20 pontos

A constatação de que as avaliações verbais e não verbais do QI subiram ou caíram até 20 pontos (em uma escala cuja média era 100) confirmou mudanças drásticas nos resultados dos dois testes. Alguns adolescentes melhoraram ou regrediram apenas em suas habilidades verbais ou não verbais - ou então melhoraram em uma área apenas e regrediram na outra.

ScienceNOW ,

23 Outubro 2011 | 03h02

As imagens do cérebro refletiram as diferenças das avaliações. Nos adolescentes cujas avaliações do QI nas atividades verbais aumentaram, por exemplo, as imagens mostraram densidade da matéria cinzenta em uma região do cérebro ativada pela fala. Os adolescentes cujas habilidades não verbais haviam melhorado mostraram mudanças numa região do cérebro associada aos movimentos da mão.

"Essas mudanças são reais e se refletem no cérebro", diz Price, cuja equipe divulgou recentemente as conclusões online na revista Nature. "A atitude das pessoas é, em função disso, decidir mais cedo que uma criança é inteligente e a outra, não. Entretanto, o estudo sugere que não podemos fazer esse tipo de avaliação na adolescência."

Os resultados são "realmente animadores", diz John Gabrieli, um neurocientista do Massachusetts Institute of Technology, em Cambridge, que não participou do estudo. "As pessoas achavam que o QI é fixo ou se torna estável muito cedo na vida. No entanto, há uma considerável evidência de que existe uma variação que continua ao longo da adolescência."

O estudo não oferece indicações sobre o motivo pelo qual tais flutuações ocorrem. Mas levanta a possibilidade de que o treinamento ou outras intervenções podem melhorar o desempenho, diz Frances Jensen, neurologista e neurocientista da Harvard Medical School e do Children's Hospital de Boston.

"Essa é realmente uma mensagem muito boa para os adolescentes", Frances afirmou. "Ela sugere que nessa fase da vida há ainda plasticidade, de modo que podemos trabalhar os pontos fracos e melhorar os fortes." Ela observa ainda que o estudo tem outra implicação extremamente importante.

Embora a angústia e o menosprezo tão comuns nos adolescentes possam desaparecer com o tempo, a capacidade do cérebro de melhorar ou de perder sua capacidade intelectual talvez não desapareça.

"Será que a história acaba nos anos da adolescência ou essa plasticidade persiste nos cérebro do jovem adulto ou além? Acho que nós ainda não temos conhecimento disso."

 

* TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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